Exportação e Melhoramento Genético do Arábica, por Procafé

Fonte/Publicação: Fundação Procafé
Divulgação: Assessoria de comunicação Sindicafé ES

Em sua Folha Técnica, a Fundação Procafé realiza uma análise referente a Exportação e Intercâmbio de Seleções do Melhoramento Genético do Arábica. O texto é assinado pelo presidente da Fundação Procafé – José Edgard Pinto Paiva, pelo pesquisador Fundação Procafé – Antônio Wander Rafael Garcia- e por André Luíz A. Garcia, também pesquisador Fundação Procafé.

Leia abaixo a folha técnica na íntegra. Para acessar o documento no Portal Fundação Procafé (clique aqui)

EXPORTAÇÃO E INTERCÂMBIO DE SELEÇÕES DO MELHORAMENTO GENÉTICO DO ARÁBICA
As informações são de autoria da Fundação Procafé.

José Edgard Pinto Paiva (Presidente da Fundação Procafé); Antônio Wander Rafael Garcia (Pesquisador Fundação Procafé); André Luíz A. Garcia (Pesquisador Fundação Procafé).
Neste texto colocamos um assunto bastante polêmico, com adesões e pensamentos divergentes e de enorme importância para a cafeicultura nacional. A Fundação Procafé sempre recebe grupos de estrangeiros com interesse em conhecer os campos de melhoramento genético e adquirir sementes de materiais diversos, demanda esta que cresceu significativamente nestes dois últimos anos. Assim como nas instituições de pesquisas os produtores de sementes aumentaram significativamente as vendas para o exterior. Em levantamento inicial de produtores de sementes que estão exportando neste ano 2013, sabemos que está em aproximados 37 a 40 ton. de sementes, estando entre estes principalmente materiais que acabaram de ser registrados com resistência múltipla e produtividade elevada. 

Em paralelo a esta demanda, foi criada uma parceria entre representantes da indústria e pesquisa com um projeto internacional objetivando o intercâmbio de seleções genéticas entre diferentes países, para aumentar a oferta de cafés especiais no mundo. Este projeto recebe apoio financeiro de diversos representantes no setor da indústria das Américas, Europa e Ásia, sendo coordenado por estes juntamente com representantes do setor da Pesquisa.

No último Congresso Brasileiro de Pesquisas durante o debate do seminário sobre melhoramento foi perguntado aos melhoristas da mesa: “o que achavam deste projeto?, estes representantes e responsáveis pelo melhoramento nas principais instituições do Brasil”. As respostas foram divergentes, desde “dar o ouro ao ladrão” como sendo importante para aquisição de fontes de resistência para o atual melhoramento, onde a maioria ficou em “cima do muro” e com a seguinte resposta” se não passar estes materiais eles vão ter de outro modo”. 

Com relação à legislação os materiais genéticos podem ser exportados e aqueles protegidos somente com a permissão da instituição detentora. Sabemos que o melhoramento genético teve um grande marco em produtividade com os Catuais e M.N. e agora vemos um outro marco que é a alta produtividade associada à resistência a fatores bióticos e abióticos (seca, ferrugem, B.Mineiro, nematóide, etc.) Nestas exportações atuais vimos que a maior procura está direcionada a resistência a ferrugem, que está acarretando perdas significativas a países da América do Sul e Central.

Em todo este contexto fica uma grande preocupação com nosso futuro, sobre a internacionalização de seleções genéticas, com vantagens e desvantagens e pontos de vistas divergentes sendo que na área do melhoramento genético pode ser um ponto importante para novos cruzamentos e no setor de produção pode ser um marco de grande oportunidade para países com potenciais climáticos, econômicos e sociais, aumentando a oferta de café no mundo.

A Fundação Procafé é uma instituição de pesquisa que sempre tem em primeiro lugar o produtor rural associada às demandas de pesquisas que são importantes para a nossa cafeicultura. E nesta relação de prós e contras ela entende que a internacionalização e/ou exportação de materiais genéticos ainda não pode acontecer sem um estudo organizado, de maneira que acarrete aos nossos produtores uma possível concorrência desleal comparada a países menos e/ou mais desenvolvidos com potencial de produção com custos mais reduzidos e apoio financeiro e político. E se o objetivo do projeto for concluído é lógico que com o aumento da oferta de cafés finos a oferta em geral também aumentará. Imaginem 10 milhões de sacas a mais no curto/médio prazo. 

É importante lembrar que uma cafeicultura desprovida de políticas protetivas e regulatórias, ganha quem é mais forte e organizado. E desta forma continuamos fazendo o que sempre achamos como prioritário que é defender a sustentabilidade da nossa cafeicultura. 

Na imagem abaixo estão três plantas em segunda produção da cultivar Acauã Novo, recém lançada, com alta produtividade, imunidade a ferrugem e resistência ao nematóide Meloidogyne exígua e seca.

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