Analistas estão otimistas sobre mercado de café

Os preços do café arábica deverão se recuperar, apesar da melhora nas condições de colheita, disseram analistas, mesmo com os futuros caindo de novo em Nova York, para seu menor valor em quase dois meses. O café arábica para setembro ficou 2,1% menor, em 158,55 centavos de dólar por libra nas últimas negociações em Nova York.

O declínio refletiu as melhores condições de colheita para o café arábica, produzido principalmente no Brasil, após fortes chuvas que cortaram a quantidade e a qualidade das colheitas iniciais. “A qualidade dos grãos também pode melhorar significantemente durante o curso do processo de secagem de três a cinco semanas”, disse o Commerzbank.

No entanto, o Commerzbank argumentou que a queda nos preços foi exagerada e disse que tem potencial considerável para recuperação. “O mercado de café em geral ainda está muito apertado. Se você observar a oferta e demanda globais, verá que tem ocorrido um déficit na oferta”, disse o analista de commodities do Commerzbank, Carsten Fritsch.

De fato, os estoques nos países exportadores estão próximos a recordes de baixa, reduzidos pelo crescente consumo doméstico apesar dos requerimentos por envios. “Eu acho que os preços aumentarão para 200 centavos por libra nesse ano e para 240 centavos por libra no próximo ano”.

O analista do Macquarie, Kona Haque, disse: “Não estamos vendo muito comércio no momento, com muito pouco sendo comprado e vendido. Porém, o Brasil está atualmente em colheita”, trazendo ofertas extras e, com elas, pressão nos preços. “Eu acho que os preços aumentarão até o final do quarto trimestre”.

Os comentários seguiram com uma avaliação feita pelo presidente executivo do Conselho Nacional de Café (CNC), Silas Brasileiro, de que o mercado está passando por um impasse entre torrefadores e produtores, que deverá terminar a favor dos produtores. “Enquanto os torrefadores estão apostando nos preços das ofertas à medida que a colheita progride, os produtores estão apostando que os torrefadores em breve precisarão fazer um grande reabastecimento de seus estoques, atualmente a níveis muito baixos”.

“Se os produtores mantiverem sua estratégia – de esperar por melhores condições para vender – acreditamos que, em setembro, poderemos ver um mercado com mais atividade de compra” e produtores, consequentemente, tendo preços melhores para o “restante da estação”.

A pressão nas ofertas de exportação do Brasil foram destacadas na semana passada, quando a Cooxupé, maior cooperativa de café do país, disse que esperaria até o final da colheita em setembro antes de exportar os grãos. “A decisão da Cooxupé não teve um impacto nos preços. Deveria ter dado suporte aos mesmo”, disse Fritsch.

Embora o aumento nos estoques nos países consumidores indique que “as ofertas estão amplas no momento, isso poderia mudar com a previsão de um baixo rendimento de colheita no Brasil no próximo ano”. 

A reportagem é do Agrimoney, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.


Fonte: Web CaféPoint