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Benefícios e malefícios do café

Você recorre a um cafezinho para ficar mais ligado na hora do estudo? Pois saiba que o café, mesmo estando presente no dia a dia de muita gente, ainda gera muitas dúvidas em seus consumidores. Apreciado por suas características de sabor e aroma, alguns adeptos afirmam que a bebida promove bem-estar e faz com que fiquem mais alertas.  Mas é preciso ter moderação no consumo.

De acordo com a professora da Uniara (Centro Universitário de Araraquara) Angélica Manço, o café tem ação estimulante sobre o sistema nervoso central e grande efeito ergogênico, “que favorece o desempenho atlético, a concentração e a capacidade intelectual, devido à presença da cafeína em sua composição”.
Ela alerta que o consumo de café em exagero pode aumentar a pressão arterial, contribuir para a osteoporose, refluxo gastroesofágico, gastrite, úlcera e colite, além de aumentar a perda de vitaminas e minerais no organismo. Angélica recomenda que, “para as pessoas que não têm restrição ao consumo da bebida, o ideal é ingerir em torno de três a quatro xícaras de café por dia”.

Além disso, segundo a docente, o excesso pode causar insônia, superexcitação, ansiedade e irritabilidade. “Para não causar insônia, deve-se evitar sua ingestão à noite, pois, como apresenta propriedades estimulantes, como a cafeína, auxilia na manutenção do estado de alerta, dificultando o sono”, observa.
Angélica afirma que os consumidores diagnosticados com gastrite devem ficar atentos, pois “o café estimula a produção do suco gástrico e irrita a parede do estômago, e até mesmo o descafeinado provoca esse efeito”.

A docente explica que o consumo diário e moderado de café pode prevenir doenças físicas e mentais, como câncer, diabetes, depressão, crises de asmas, doenças neurogenerativas e alteração de humor. “Além disso, pode auxiliar no tratamento da obesidade, alcoolismo e drogas”, completa.

Angélica aponta que a bebida, apesar de ser um produto de composição química complexa, apresenta componentes bioativos após o processo de torrefação, importantes para a saúde humana. “Essa bebida é composta por cafeína, proteína, lipídeos, vitamina, niacina e ácidos clorogênicos, que têm função antioxidante, açúcares como glicose, frutose, arabinose, galactose, maltose e polissacarídeos, e minerais como potássio, magnésio, cálcio, sódio, ferro, zinco e cobre”, afirma.

A docente esclarece que a maioria das pessoas acha que o café contém apenas cafeína ou que esta é sua substância principal. “Grande engano. O café possui apenas 1% a 2,5% de cafeína e diversas outras substâncias em maior quantidade, que são importantes para o organismo humano”.

Ela confirma que o consumo deve ser feito duas horas antes ou após as principais refeições. “O café possui substâncias antinutricionais, como fitatos e taninos, entre outras, que prejudicam a absorção dos nutrientes oriundos dos alimentos ingeridos no almoço ou no jantar”, finaliza.

EPTV – Campinas/SP – BLOGS.

Fonte: Web ABIC

Fabricantes de menor porte marcam presença nos supermercados

Em cinco anos, crescimento da participação de seus produtos no faturamento dos supermercados foi de 50%
Grandes redes do varejo estão deixando de ser território exclusivo de megafabricantes e multinacionais e já dividem os bons espaços disponíveis nas prateleiras com pequenos fornecedores regionais. De utensilhos domésticos feitos de jornal reciclado em Betim, na Grande BH, aos pastéis de angu de Itabirito, na Região Central do Estado, centenas de itens produzidos em pequena escala estão invadindo os supermercados. Em Minas a participação dos fornecedores de pequeno e médio porte já representa 15% do faturamento das redes, crescimento de 50% nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Associação Mineira de Supermercados (Amis).
Com mais dinheiro no bolso o consumidor tem procurado não só itens tradicionais e commodities mas levam no carrinho também as “pequenas manufaturas”. Mais que a garantia de grande impacto nos lucros, os supermercados funcionam como vitrine, na qual os pequenos se mostram nas gôndolas e desenvolvem estratégia de marketing para deslanchar em outras praças. A chave para entrar nas grandes redes está no charme da fabricação artesanal, como existente na produção do pastel de angu, que inspirou a família do empresário Heron Lídio Oliveira.
Ao perceber que os turistas queriam levar para casa o gostinho do pastel inventado na cidade, o empresário de Itabirito montou uma parceria com o filho e criou a Maria Angu. Inicialmente a produção era feita em casa mesmo e testada em bares da região – os primeiros a dar sinal verde para o negócio. A demanda cresceu e o pastel de angu ganhou botecos de Belo Horizonte. O passo foi decisivo para chegar aos supermercados, como o Verdemar, MartPlus, ViaBrasil, BH e a rede Bahamas. A Maria Angu continua sendo pequena, mas fabrica 20 mil pastéis por dia e outros 60 mil salgados, empregando 46 funcionários. A fábrica em Itabirito também atende bufês e padarias, clientela que não para de crescer.
A margem de lucro com o produto vendido aos supermercados não costuma ultrapassar 6%, mas o retorno é forte. “Antes de entrarmos em redes importantes de supermercados, 80% do nosso público consumidor nunca havia ouvido falar do pastel. Hoje a maioria conhece o produto”, afirma Heron.
Com a mercadoria certa nas mãos, há outras exigências: ter logística e verba para promover o produto dentro das redes e prazos cumpridos fazem parte do intricado caminho das pedras que pequenos produtores vêm conseguindo trilhar. “Para entrar é preciso ter uma estratégia de marketing acertada. Testar o produto primeiro em estabelecimentos menores, depois fornecer para poucas lojas de uma mesma rede, ir crescendo aos poucos e ganhando experiência na escala e na logística, aperfeiçoando a qualidade. Não dá para entrar em um supermercado de cima para baixo, competindo com commodities”, diz Adilson Rodrigues, superintendente da Amis. Ele acredita que o espaço está aberto e que os pequenos e médios fornecedores têm condições de ampliar a participação, atingindo 40% do faturamento das redes.
Geleias regionais
O crescimento da demanda dos consumidores por produtos diferenciados alavancou as vendas dos produtos Casa Madeira, especialmente geleias, vinagres balsâmicos e sucos de uva fabricado no Sul do país. O representante da empresa em Minas, Danilo Schirmer, diz que a venda em supermercados representam 23% do faturamento da empresa no estado, com expectativa de chegar a 30% neste ano. “Há um ano esse percentual não chegava a 10%.” Ele aponta que os produtos artesanais têm contribuído para o crescimento do setor. “Os supermercados são uma vitrine, mas os itens diferenciados também são chamariz para vendas maiores, agregam valor às redes.”
De chás a cafés, biscoitos caseiros, queijos e doces o gerente de negócios da rede Super Nosso Hamilton Andrade aponta o crescimento da participação principalmente dos micro e pequenos fornecedores que já respondem por 10% do mix da empresa. Segundo ele, a participação deve ser ampliada entre 8% e 10% este ano. “A expectativa de consumo da população tem crescido e os fornecedores mineiros estão respondendo com criatividade.”
Outro exemplo em Belo Horizonte, a massa Bella Sicilia nasceu no Bairro Santa Teresa fornecendo lasanhas e canelones para vizinhos. Hoje o produto pode ser encontrado em 12 lojas de duas redes de supermercados e o retorno do marketing foi imediato. “Hoje 60% das nossas vendas estão na Região Sul de Belo Horizonte”, comenta Júlio César Sacchetto, sócio-proprietário da empresa.
Programa social como alavanca
Em Betim a cooperativa Futurarte começou a vender seus produtos para lojas do Pão de Açúcar. Ter os utensílios fabricados a partir de papel jornal e embalagens recicladas nas gôndolas do supermercado tem sido uma alavanca importante para as encomendas, que ganharam um empurrão do programa social da rede supermercadista. Idealizadora da Futurarte, Solange Bottaro conta que os aponta que entrar em um grande supermercado não é fácil, uma vez que é preciso ter uma produção significativa e preço competitivo. “O caminho pode ser encurtado se houver algum facilitador para os produtos sociais.”
Segundo a gerente de Responsabilidade Social do Grupo Pão de Açúcar, Dary Barcelar, o supermercado mantém um programa social com fornecedores regionais, no qual o objetivo é abrir espaço para os pequenos fabricantes. Os produtos estão expostos em mais de 10 lojas e existem facilitadores, como pagamento mais rápido independentemente do volume entregue, além de isenção de multas e taxas relativos aos prazos de entrega. Batizado com o nome de Caras do Brasil, o programa para pequenos fornecedores atinge cerca de 10 lojas e deve crescer 15% este ano.
O Walmart Brasil informa que o programa de parceria da empresa com agricultores familiares completa 10 anos este mês, sendo que a participação dos pequenos fornecedores no supermercado cresceu significativamente. O programa começou com 14 famílias gaúchas, em 2002, saltando para 9.342 famílias, de 12 estados, em maio. O valor das compras do Walmart passou de R$ 650 mil, no primeiro ano, para R$ 150 milhões em 2011, sendo mais R$ 64 milhões de janeiro a maio.

Marinella Castro
Estado de Minas

Fonte: Web ABIC

MG: Consórcio Pesquisa Café divulga tecnologias em Viçosa

Tecnologias do Consórcio Pesquisa Café desenvolvidas para melhorar a qualidade do café produzido pela agricultura familiar foram apresentadas na 83ª Semana do Fazendeiro, em Viçosa (MG), semana passada. A ação faz parte do projeto de transferência de tecnologia executado pelas instituições consorciadas: Embrapa Café, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e Universidade Federal de Viçosa (UFV). O projeto de TT levou ao produtor novidades e inovações para otimizar a produção, com custos acessíveis, nas lavouras cafeeiras. A Semana do Fazendeiro, promovida pela UFV, é o mais antigo evento voltado para atividades extensionistas no país.

Semana do Fazendeiro – Durante uma semana, os pesquisadores Sammy Fernandes Soares (Embrapa Café), Sérgio Donzeles (Epamig) e Aldemar Polonini Moreli (Incaper) passaram orientações aos produtores sobre tecnologias do Consórcio, como o Sistema de Limpeza de Águas Residuárias (Slar), com o protótipo do sistema montado no estande. “Atendemos muitos produtores e explicamos o objetivo e vantagens do reuso da água do processamento de frutos. Demos todos os encaminhamentos sobre a tecnologia e eles saíram daqui com todas as condições de implantarem o Sistema em suas fazendas”, explicou Aldemar Polonini.

Contato com produtor – Além do Slar, o diferencial da participação na Semana do Fazendeiro foi a oportunidade de, por um contato mais próximo com o produtor, ouvir deles as necessidades das lavouras e repassar informações sobre tecnologias disponíveis, com foco na melhoria de qualidade do café, assim como o caminho para adotá-las nas propriedades. Na programação da feira, os pesquisadores do projeto participaram ainda da Clínica Tecnológica, onde tiveram oportunidades de esclarecer dúvidas e abordar sobre as tecnologias disponíveis para agricultura familiar e para os produtores.

Eventos futuros – Ações do projeto de transferência de tecnologia, que acontecerão em agosto e setembro próximos, também foram divulgados ao público. O Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (SEAG), do Incaper e de prefeituras municipais, promoverão eventos regionais, onde serão demonstrados as tecnologias de pós-colheita do café, com destaque para estruturas do Slar e de secagem, apresentada por Aldemar Polonini. Mesmo acontecendo no Espírito Santo, as demonstrações podem servir para lavouras de qualquer região produtora no país.

Terreiro Secador Híbrido – Outra ação inédita apresentada como parte do projeto de TT foi a construção da primeira fornalha de aço inox para secagem do café. A nova fornalha compõe a tecnologia “Terreiro secador híbrido”, desenvolvida sob a liderança do pesquisador da UFV e integrante do Consórcio, Juarez Sousa e Silva, e está em fase de testes na Fazenda Experimental de Venda Nova, do Incaper. Com a estrutura de aço inox, e não mais de ferro como costumava ser, a vida útil do equipamento passa de quatro para 15 anos, acabando com um dos maiores gargalos do produtor atualmente, disse Polonini. “Em todos os trabalhos que apresentamos, as parcerias interestaduais entres as entidades consorciadas têm sido extremamente importantes para estender as pesquisas e a transferência de tecnologias, com favorecimento da agricultura familiar, pelas regiões produtoras”.

O projeto de TT do Consórcio Pesquisa Café contempla ações previstas no Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Setor Cafeeiro 2012/2015, elaborado no âmbito do Departamento do Café, da Secretaria de Produção e Agroenergia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Decaf/Mapa/SPAE), que trará como uma de suas prioridades ações de difusão e transferência de tecnologia. O Plano também é resultado de uma ampla discussão que envolveu instituições representativas do setor cafeeiro, inclusive Embrapa Café e Consórcio Pesquisa Café.

Consórcio Pesquisa Café – É uma iniciativa inédita criada por dez instituições fundadoras: Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento (Mapa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Agronômico (IAC), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Universidade Federal de Lavras (Ufla) e Universidade Federal de Viçosa (UFV). Além das instituições fundadoras, o Consórcio conta ainda com outras entidades parceiras por todo o país, fomentando a pesquisa cafeeira por meio da união de recursos humanos e infraestruturas que potencializam os estudos voltados para o desenvolvimento sustentável do agronegócio café brasileiro.

As informações são da Embrapa Café, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Web Café Point

Café já não predomina na agricultura da Colômbia

Em 2000 o café pesava 9,1% dentro do Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia, mas, já no ano passado, esse indicador ficou em 5,6%. Outros subsetores como frutas e flores já o ultrapassaram. Isso foi revelado por um estudo da Sociedade de Agricultores da Colômbia (SAC), que mostra como pode estar ocorrendo a recomposição produtiva do setor agrícola colombiano.

Por um lado, é claro que as dificuldades pelas quais a cafeicultura vem passando nos últimos quatro anos influenciaram na participação desse setor dentro do PIB agropecuário. As razões que explicam esse comportamento têm sido citadas em várias oportunidades pela Federação Nacional de Cafeicultores diante das críticas do Governo.

Entre os motivos está a renovação de cafezais, os efeitos das chuvas e o fortalecimento da ferrugem do café. “Apesar da queda na produção, a cafeicultura conserva sua importância social e econômica, pois dela dependem 563.000 produtores, cujas famílias estão compostas por mais de 2,8 milhões de pessoas, que correspondem a 25% da população rural do país. Para elas, em 2011, o café significou receitas de 5 bilhões de pesos (US$ 2,78 milhões) que irrigaram as economias locais gerando maior capacidade de consumo”, disse o gerente da Federação de Cafeicultores, Luis Genaro Muñoz Ortega.

Ele disse que as flores, assim como o café, foram golpeadas pela valorização e pelo inverno nos últimos três anos. “Já estamos recuperando a produção. O grande problema da cafeicultura e da agricultura do país se chama valorização monetária”.

Para o ministro da Agricultura, Juan Camilo Restrepo, é válido o esforço que vem sendo feito pelos cafeicultores. Entretanto, deixou claro que por causa da diminuição da produção, as famílias dedicadas a essa atividade deixaram de receber esse ano 800 bilhões de pesos (US$ 444,09 milhões).

“Há um mal estar profundo pela situação que se vive e, por isso, é necessário enfrentar o assunto”, disse o ministro, que também disse que esse é um setor que está “recostado” no Orçamento Nacional, e que, além disso, concentra 40% dos créditos do Banco Agrário. 

Em 18/07/12 – 1 Peso Colombiano = US$ 0,00056
1.744,60 Peso Colombiano = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

A reportagem e do www.elcolombiano.com, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Web Café Point

Com um café naturalmente doce, o Brasil ganha espaço do colombiano nos blends sofisticados

No segundo semestre de 2011, os preços do café alcançaram RS 550 por saca, a maior cotação desde a implantação do real no Brasil, 18 anos atrás 
Globo Rural 

Os bons preços surpreenderam os produtores, que vinham há anos trabalhando margens de lucro bastante justas, e deram novo fôlego à cafeicultura brasileira. O aumento da remuneração foi convertido em tratos culturais e favoreceram a produtividade das lavouras do Brasil, que, na safra 2012/2013, vai colher cerca de 50 milhões de sacas de 60 quilos. Mas, como acontece nos anos de safra gorda – o café é uma cultura bianual e rende um ano de produção alta seguido por outro de baixa -, os preços cederam neste ano, em resposta à entrada de um volume maior de café no mercado. Ainda assim, as cotações são remuneradoras e ajudam a preservar uma característica adquirida pelo café brasileiro nos últimos anos: a qualidade, que já rende ao produto do país um valor agregado de cerca de US$ 70 por saca em relação aos preços praticados no mercado internacional.

É exatamente o mesmo valor a mais que a Colômbia, reconhecida por produzir um café de alta qualidade, costumava receber na década de 1990, quando produzia 11 milhões de sacas por ano, investia pesado em marketing e vendia sua safra de maneira abundante no mercado internacional. Com a crise que tomou conta do país nos últimos anos, a safra colombiana despencou para 7 milhões de toneladas. “E quem mais ganhou com o marketing feito pela Colômbia no mercado internacional foi o produtor brasileiro, pois ele é quem está ganhando dinheiro no mercado externo”, diz Lucio Dias, superintendente da Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé). A opinião de Dias é compartilhada pelos produtores de café. “Enquanto a Colômbia investia em marketing, nós investíamos na qualidade de nossa produção. Hoje, o café brasileiro é muito bem avaliado no mercado internacional”, diz Adolfo Henrique Vieira Ferreira, cafeicultor de Monte Belo (MG).
Na avaliação de Guilherme Braga, presidente do Conselho Nacional dos Exportadores de Café (Cecafé), o produtor brasileiro conquistou confiança e qualidade nos últimos anos. “O Brasil passou a ocupar o espaço que antes era da Colômbia e 24% do café exportado pelo país atualmente é de produto diferenciado (certificado ou especial)”, diz Braga. Para o presidente do Cecafé, o aumento das exportações brasileiras de café diferenciado reflete a agilidade do produtor em se adequar às demandas do mercado.

“O agricultor brasileiro é o único que se ajusta rapidamente ao consumidor e, quando a demanda por cafés de qualidade começou a crescer, ele respondeu de imediato”, diz. Em 2011, o Brasil exportou 33 milhões de sacas de café, das quais 8 milhões foram de arábica diferenciado, que, em média, foram negociadas por US$ 340 a saca, US$ 70 a mais em comparação ao valor do café classificado como “commodity”. “Há cinco anos, o Brasil só exportava commodity e a tendência é que a participação do produto diferenciado continue crescendo nas vendas brasileiras”, avalia Braga.

No mercado internacional, a qualidade do café colombiano ainda é bastante alardeada, mas essa situação está mudando. As diferenças entre o café brasileiro e o colombiano começam a favorecer o produto nacional. O café produzido na Colômbia é ácido. O do Brasil é naturalmente doce. As indústrias que fazem produtos mais sofisticados estão usando de 30% a 70% de café arábica brasileiro em seu blend.
Outra diferença é que a Colômbia tem uma condição peculiar de produção. A temperatura média no país é de 18 °C e não oscila tanto quanto no Brasil, onde pode variar até 15 °C num dia. Por esse motivo, os produtores são obrigados a fazer uma colheita seletiva só dos frutos maduros, porque o cafezal produz o ano inteiro e é possível encontrar numa só arvore um fruto vermelho, um verde e uma flor. A colheita seletiva eleva a qualidade do café, pois exclui os grãos verdes e ardidos.

No Brasil, a colheita seletiva não é obrigatória, mas alguns produtores já adotam o sistema como técnica para elevar a qualidade da safra. É o caso, por exemplo, de Francisco Isidro Dias Pereira, que administra uma das cinco fazendas de sua família, proprietária do Grupo Sertão, que soma área de cultivo de 650 hectares, em Carmo de Minas (MG). “Estamos numa região montanhosa onde a colheita é manual. Essa característica nos permitiu começar, há cinco anos, a colher somente os grãos maduros”, diz Pereira. Com técnicas como essa, o Grupo Sertão, que estima colher uma safra de 22.000 sacas de café neste ano, consegue produzir 60% de grãos de alta qualidade, que comercializa para as mais importantes torrefadoras do mundo. Outras técnicas que podem melhorar a qualidade – como usar terreiros suspensos, mexer bem o café no terreiro para evitar umidade, investir em descascador de cereja – já são bastante difundidas no Brasil e ajudam a melhorar a bebida.

Foi por isso que, quando a produção da Colômbia começou a cair e os grandes clientes daquele pais vieram experimentar o café do Brasil, eles tornaram-se compradores constantes. “Quem coloca o café brasileiro no blend não tira mais”, comenta Dias. A Star-bucks chegou em 2009. Hoje, ela é o maior cliente da Cooxupé, com compras anuais de 1 milhão de sacas. A torrefadora também adquire parte da safra do Grupo Sertão. A Nestlé, maior torrefadora do mundo, consome 14 milhões de sacas por ano para produzir o café Nespresso e também usa de 30% a 70% do café brasileiro em seu blend, assim como a Illy, que criou um prêmio para os melhores fornecedores do país.

Adolfo Ferreira é fornecedor da Illy desde 1999. Proprietário da Fazenda Passeio, com cerca de 1 milhão de pés de café, ele estima colher 8.000 sacas neste ano e espera fazer entre 50% e 60% de cafés especiais. “In-vestimos nas variedades bourbon, topázio, rubi e icatu, que são cafés finos, mas não tão produtivos quanto os convencionais”, diz Ferreira. Ainda assim, a produ-tividade da Fazenda Passeio é de 40 sacas por hectare, superior à média nacional, de 30 sacas por hectare. Ferreira também já fez a colheita de maneira seletiva, mas hoje só a realiza sob encomenda. “Antes eu fazia dois meses de seletiva, mas os custos com a mão de obra cresceram muito”, diz.

Um microlote de 40 sacas colhido por Ferreira de maneira seletiva foi comercializado em maio por US$ 270 dólares a saca, um ágio de US$ 70 sobre o café convencional. Na avaliação do produtor, a grande vantagem de se produzir café especial é que ele é bem remunerado quando o produtor mais precisa, ou seja, quando os preços da commodity estão ruins. “Quando o preço da commodity está bom, a diferença para o especial é pequena, mas quem precisa de vantagem sobre um café cotado a RS 550 a saca?”
Com a expectativa de uma safra boa neste ano, os preços do café voltaram a ceder e seguem cotados a RS 350 a saca, mas o inverno chuvoso pode comprometer tanto o volume quanto a qualidade da safra 2012/2013, situação que pode gerar novas altas. A Cooxupé estima colher 5,5 milhões de sacas no período, 85% das quais serão comercializadas fora do Brasil.

A boa aceitação no mercado internacional pode ser vista na 24a edição da SCAA Annual Exposition – maior feira de café do mundo -, que rendeu aos cafeicultores brasileiros negócios em volume recorde este ano: da ordem de US$ 3 milhões. “A cada ano nossa participação é maior”, diz Luiz Paulo Dias Pereira Fi-lho, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Os contratos futuros para a temporada 2012/2013, que começa em julho, foram de US$ 7 milhões. “Surgiram compradores dos Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá e do próprio Brasil”, diz.

Safra abençoada
No município baiano de Ibicoara, na Chapada Diamantina, a colheita do café arábica do produtor Nelson Ribeiro chega a durar até 20 dias, numa área de 28 hectares. “Para fazer café de qualidade, tem de fazer a colheita seletiva. A gente passa várias vezes na planta e sempre tira os grãos maduros”, explica. No ano passado, ele colheu aproximadamente 550 sacas, vendidas a R$ 700 cada, em média.

A qualidade do café Natura Gourmet já foi reconhecida até pelo papa. Em 2009, amostras do café foram enviadas por interceptores ao Vaticano, que encomendou quase 1.000 sacas. Hoje, 70% da produção é exportada para Inglaterra e Estados Unidos.

Mas, para Ribeiro, para garantir qualidade, não basta o café ser gourmet; é preciso ser orgânico. “Alguns (produtores) tiveram dificuldades em fazer o café orgânico e se afastaram. Pensei, desde o começo, em fazer orgânico porque pelo menos você não está usando agrotóxicos em seu solo, não está usando fertilizantes químicos e trabalha conservando mais a terra para seus filhos, netos e bisnetos”, diz ele, que preserva 40 hectares de mata e não pensa, a curto prazo, em expandir a área plantada, a fim de não interferir na produção. “Não quero perder nunca a qualidade”, diz.

Foco na liquidez dos associados
Presidente da Cooxupé fala das ações para transformar a cooperativa na empresa de café verde mais competitiva do mundo
Globo Rural – O Brasil investiu na melhoria da qualidade nos últimos anos?
Carlos Paulino da Costa – Investiu bastante, tanto que, em algumas fazendas, já não existe sazonalidade entre as safras. É o bolso que dá a diretriz ao sujeito. E, quando o café bom começou a ser melhor remunerado, o produtor investiu na qualidade, pois a diferença de preço entre um café de alta qualidade e um café “commodity” compensa o investimento. Em época de queda, o preço do produto de qualidade cai menos.

O que o produtor faz quando o preço do café está bom?
Depende muito. Uns compram carro, outros reformam a casa, outros compram terra, outros colocam o dinheiro no banco e há os que não vendem o café, apostando em altas ainda maiores. O pequeno produtor – que representa 84% dos associados da cooperativa – não tem conta em banco e o dinheiro dele é o café que está estocado na cooperativa. Nosso crescimento se deve à confiança que o produtor tem na entidade. Ele entrega o produto aqui e vende quanto e quando quer.

Existem novidades na área de produção?
A cooperativa está investindo em melhoria de processos e redução de custo e terminou, no ano passado, a construção do Complexo do Japi, que recebe o café a granel, uma novidade que reduz tanto o custo da cooperativa quanto o do produtor, que só com a saca gastava RS 5 por unidade. Nesta safra, todo o recebimento da cooperativa está sendo feito a granel e o pequeno produtor foi o que mais rapidamente aderiu. Nossa ideia é transformar a cooperativa na mais competitiva empresa de café verde do mundo.

O Brasil é um fornecedor confiável?
O Brasil é hoje um pais muito fácil para se fazer negócio. A Nicarágua, por exemplo, é muito burocrática; o Vietnã, volta e meia, cancela um negócio. O Brasil é reconhecido por cumprir seus contratos. As torrefadoras só não vão comprar daqui se houver alguma boa vantagem em outro lugar, como preço muito melhor ou qualidade maior. Quem tem grandes volumes de negócios para realizar precisa ter o Brasil como fornecedor.

Como é o consumo no mercado interno?
Começamos a ter uma experiência boa de consumo interno. Temos uma pequena torrefação e tentávamos há tempos fazê-la crescer. Como o capital de giro de muitas empresas diminuiu nos últimos meses, aproveitamos a oportunidade e ampliamos a venda para 7.000 sacas de torrado e moído no mercado regional, o que é uma excelente performance, pois fazíamos 3.500 sacas por mês. Não queremos concorrer com nossos clientes, mas, à medida que encontrarmos oportunidades, vamos encaixar o produto regionalmente. Nossa obsessão é dar liquidez para nossos associados.

Cooxupé é a maior cooperativa de café do mundo. Esse status garante que ela vende o melhor café do mundo?
Vendemos para os clientes mais exigentes e participamos de todos os grandes mercados mundiais, mas não conseguimos atender a nichos. A Cooxupé tem facilidade de originar produto e de fazer negócio, e o objetivo da cooperativa é obter o melhor preço para os mais de 5 milhões de sacas que comercializamos por ano.

Estado de Minas.

Portal do Agronegócio – Viçosa/MG.

Fonte: Web ABIC

Atrasada, colheita de café no Brasil atinge 46% do total

O Brasil colheu até meados de julho quase metade da produção de café esperada para a temporada 2012/13, o que indica um atraso na comparação com o mesmo período do ano passado, informou a consultoria Safras & Mercados nessa quarta-feira (18).

O atraso na colheita ocorre após um período chuvoso nas principais regiões produtoras do Brasil, o maior produtor e exportador global. Até 12 de julho, os produtores tinham colhido 25,31 milhões de sacas, de uma estimativa total de 54,9 milhões de sacas. “A colheita está atrasada em relação a igual período do ano passado, quando 61 por cento da safra 2011/12 estava colhida”, afirmou a Safras em relatório.

O percentual de colheita indica um avanço de seis pontos na comparação com o índice registrado na semana anterior. Em Minas Gerais, maior produtor brasileiro, os cafeicultores colheram 9,4 milhões de sacas, de um total de 28,3 milhões da estimativa de safra.

No Espírito Santo, que colhe principalmente o café da variedade robusta, a colheita soma 9,7 milhões de sacas, ante uma safra total projetada em 14,1 milhões de sacas.

A colheita do robusta começa antes da do arábica, variedade que predomina nas lavouras de Minas Gerais.

As informações são da Reuters, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Web Café Point

México promove cultivo sustentável de café

Com a finalidade de incentivar a cafeicultura sustentável e diversificar a produção agrícola na Faixa de Ouro do Café de Veracruz, no México, especialistas de várias disciplinas decidiram criar uma rede interinstitucional que elabore um diagnóstico da situação atual de cultivo, além de empregar a ciência e a tecnologia como motores de mudanças.

De acordo com o pesquisador do Instituto de Ecologia (Inecol) e secretário da Rede, Armando Contreras, o estabelecimento de sistema de produção agroflorestais (uso da terra onde árvores para produção de madeira interagem biologicamente com cultivos e animais) pode contribuir para o cuidado dos bosques onde residem os cafezais, além de elevar a qualidade de vida dos agricultores da região.

A iniciativa pretende impulsionar o cultivo de café de qualidade sob práticas produtivas amigáveis com o meio-ambiente, de forma que se realizam estudos para fazer o controle biológico de pragas e a fertilização orgânica dos solos, sem usar agroquímicos.

Conhecido como “Café em Rede”, esse projeto também propõe mudanças tecnológicas na transformação do café; entre elas, destacam as modificações da maquinaria para a despolpa da semente, de forma que a fermentação se realize no tempo adequado e facilite a separação da polpa, além de reduzir o consumo de água.

Por outro lado, ele mencionou que a Rede conta com os resultados do projeto Biocafé, apoiado pelos Fundos Setoriais Semarnat-Conacyt, que permitiu o inventário de cerca de 2.200 especies de organismos existentes nos bosques. Coordenado pelo Inecol, esse estudo permitiu determinar que 84% das espécies se conservam nos cafezais.

Com base nesse estudo, Contreras disse que a Rede propõe que os agricultores diversifiquem sua produção utilizando as espécies nativas dos bosques durante os períodos em que baixa o preço de café, tendo, então, tempo para atender outros cultivos. O especialista disse que, nesses ecossistemas, existem cerca de 40 espécies endêmicas com potencial para produção de madeira que podem ser aproveitadas.

Essa iniciativa não está dirigida exclusivamente aos produtores, mas sim, busca gerar alianças entre instituições acadêmicas e o Governo em seus diferentes níveis. Cerca de 100 acadêmicos e quatro mil produtores se envolveram nesse projeto desenvolvido em 50 municípios do centro de Veracruz, na região conhecida como Faxa de Ouro do Café. 

A reportagem é do www.vanguardia.com.mx, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.

FONTE: Web Café Point.

Análise de solos frágeis indica manejo correto na produção

O objetivo do grupo é estudar solos com elevada tendência à degradação para garantir a produção agrícola

Para garantir melhor produtividade agrícola, a Rede Solos Frágeis – coordenada pela Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) – está buscando municiar com pesquisa e informação, através de reuniões e debates com seu grupo gestor, a orientação para o agricultor de executar o correto manejo do solo. O objetivo da equipe é estudar solos com elevada tendência à degradação a fim de promover a produção agrícola lucrativa e com sustentabilidade.

Com duração de três anos, o trabalho escolheu quatro áreas representativas ao redor do País (Botucatu-SP, Luís Eduardo Magalhães-BA, Mineiros-GO e Petrolina-PE) para promover a comparação dos sistemas de manejo, avaliar o uso histórico, checar o fluxo nutricional e fazer o mapeamento digital dessas terras.”Problemas que afetam os solos frágeis geralmente são compactação, fertilização excessiva, salinização ou contaminação do lençol freático. No Brasil, temos 200 milhões de hectares desse solos, só no Cerrado chegam a 66 milhões de hectares”, diz o pesquisador da Embrapa Solos Luís Carlos Hernani.

A Rede Solos Frágeis é coordenada pelo Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos Daniel Vidal Perez e agrega mais de 80 pesquisadores de centros de pesquisa da Embrapa, universidades e instituições de pesquisa. A segunda reunião do grupo gestor da Rede aconteceu na Embrapa Solos, nos dias dois e três de julho. O grupo  começou seu trabalho em junho de 2011.

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Fonte: Web Ministério da Agricultura

Café participa com 7,1% nas vendas externas do agronegócio

As vendas externas do café representaram US$ 3,2 bilhões em divisas, de janeiro a junho de 2012, com participação de 7,1% do total exportado pelo agronegócio. O café está na quinta colocação na pauta das exportações brasileiras desde 2007.

O volume embarcado no semestre teve uma redução de 23%, de 11,1 milhões de sacas de 60 quilos, ante 14,5 milhões de sacas no período de 2011. As vendas ficaram em US$ 2,83 bilhões, recuo de 22% em relação ao período anterior que foram US$ 3,63 bilhões.

O resultado faz parte do Informe Estatístico do Café publicado mensalmente pelo Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/MDIC).

De acordo com o relatório mensal, o volume embarcado do café verde, que representa 88% do total das exportações do grão, registrou US$ 2,83 bilhões. O principal comprador desse produto continua sendo a Alemanha, seguido dos mercados americano, italiano e japonês.

Já o café solúvel contribuiu com 11% dos embarques e registrou US$ 317 mil no primeiro semestre deste ano. Os principais importadores são a Rússia, Estados Unidos e Japão. O torrado e moído (US$ 9 mil) e extratos e concentrados de café (US$ 13,7 mil), correspondem a 1% do total vendido, principalmente, em mercados como do Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Itália.

O segundo levantamento de produção de café arábica e conilon para a safra 2012, divulgada em maio pela Companhia Nacional de Abastecimento, indica que o País deverá colher 50,45 milhões de sacas de 60 quilos do produto beneficiado, em uma área de 2,1 milhões de hectares. O consumo brasileiro de café está estimado para 2012 em 20,4 milhões de sacas.

As informações são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Web Café Point

Chuva na colheita valoriza café de qualidade

As adversidades climáticas registradas nas principais regiões produtoras de café do Brasil, incluindo o Paraná, comprometeram a qualidade dos primeiros lotes da safra 2012/13. Além de atrasar a colheita, as fortes chuvas de junho e início deste mês levaram parte dos grãos ao chão, deixando-os com características inferiores. O café que permanece no pé está úmido, o que pode elevar o índice de fermentação e dificultar a secagem do produto.

A queda na qualidade do café atinge os preços. Com menor volume de grão para exportação, as cotações subiram 35% nos últimos 30 dias. Na metade de junho, a saca (de 60 quilos) do tipo extra era negociada a R$ 320. Hoje, o produto não é encontrado a menos de R$ 430 a saca.

“O mercado está ansioso por grão de qualidade. Como os primeiros [lotes] estão ruins e a demanda está forte, o produto bom está mais valorizado”, explica Mauricio Muruci, analista da consultoria Safras & Mercado, de Porto Alegre (RS). “Além disso, os compradores estrangeiros não querem saber do produto da safra passada, apenas da atual.”

Como o país está em ano de produção alta – determinado pelo ciclo natural da cultura, em que os cafezais apresentam melhor rendimento a cada dois anos -, a estimativa é de 50,4 milhões de sacas na safra 2012/13. O volume é recorde considerando-se os últimos dez anos e 16% maior em relação à safra anterior, que foi de 43,5 milhões de sacas.

Do total, 38 milhões de sacas serão da variedade arábica e destinadas à exportação. O restante, 12 milhões de toneladas, robusta, voltada para o mercado interno. Maior produtor de café do mundo, o Brasil tradicionalmente exporta 80% da produção.

El Niño

Apesar dos investimentos realizados pelos produtores nos últimos anos em equipamentos para produzir mais e melhor, principalmente focando o mercado internacional, o volume de chuvas nos próximos meses será determinante para a produção. Há previsão de chuvas além do normal também para o segundo semestre.

Segundo Luiz Renato, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência é de clima bom com pouca precipitação, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo, dois dos maiores produtores do país. “O risco está a partir de setembro quando está previsto o retorno do El Niño. Isso significa chuvas acima da média”, ressalta.

Aposta reduzida

Na contramão do crescimento nacional, o Paraná registra queda na área destinada ao café e, consequentemente, na produção. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 69,5 mil hectares são usados atualmente e, um ano atrás, havia 74,8 mil hectares de cafezais. Com diminuição de 7% na extensão cultivada e previsão de queda de 3% na produtividade, a safra deve ser 10% menor, caindo de 1,85 milhão para 1,65 milhão de sacas.

Apesar do descrédito da cultura no estado, muitos produtores apostam no café. O agricultor Elói Ferri, da região de Londrina, Norte do Paraná, cresceu ajudando o pai na cafeicultura e, até hoje, mantém 7 hectares de cafezal. “Eu dei continuidade quando assumi o negócio 20 anos atrás. De dois anos para cá, o mercado deu uma melhorada”, diz.

Na safra passada, Ferri chegou a receber, em média, R$ 460 por cada uma das 150 sacas produzidas. Este ano, o preço caiu para R$ 360, o que fez com que o agricultor optasse por esperar para vender a produção de 200 sacas. “Vou aguardar até o final do ano na expectativa que o preço melhore”, aposta.

As informações são da Gazeta do Povo, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

FONTE: Web Café Point.