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Impressões sobre o 7°Espaço Café Brasil
*Por Ségio Parreiras Pereira
Entre os dias 4 e 6 deste mês, aconteceu em São Paulo o 7º Espaço Café Brasil, o maior evento “porteira pra fora” do setor cafeeiro. O termo “porteira pra dentro” se refere à propriedade agrícola, portanto, trata de plantio, espaçamento, pragas, doenças, adubação, colheita, gestão, trabalhador rural, meio ambiente, enfim, o sistema produtivo com seus fornecedores de produtos e serviços. Já a “porteira pra fora”, trata das etapas da cadeia de custódia, no nosso caso, do sistema agroindustrial do café que leva em consideração a padronização, comercialização, torra, embalagens, equipamentos, Latte art, baristas, métodos de extração, drink’s, TNT, degustadores, chefs de cuisine, harmonização de sabores, Coffee In Good Spirits…..
São universos paralelos de um mesmo produto que raramente se encontram, e o Espaço Café Brasil traz justamente a proposta de ser um portal para esta interação, aberto ao público anualmente na maior capital do País.
Durante os três dias de evento, reuniram-se “Coffeaholics” de todas as espécies, representantes desses dois universos. Foram dias intensos de troca de saberes e de cafés. E quantos cafés…
Encontro entre organizações certificadoras e cafeicultores familiares
Um dos destaques do evento foi o encontro entre organizações certificadoras e cafeicultores familiares, realizado no primeiro dia do evento. No debate estiveram presentes representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA; da Utz Certified; da Rainforest Alliance, da Fairtrade Labbeling Organization – FLO; do Certifica Minas Café; do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; do CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil e da BR Fair – Associação das Organizações de Produtores Fairtrade no Brasil.
Cada representante apresentou sua visão a respeito da necessidade de maior inserção da cafeicultura familiar no mercado de cafés especiais, sobretudo o de cafés certificados sustentáveis. Ficou claro que o Brasil é e será o grande fornecedor desses cafés para o mundo e que a demanda apresenta-se crescente nos países desenvolvidos. Esse crescimento exige que sejam aprimoradas ferramentas de assistência técnica e extensão rural para melhorar as boas práticas agrícolas e gerenciais nas unidades produtivas, sobretudo as de base familiar.
Protagonistas do tema, cerca de vinte cafeicultores de oito diferentes associações de produtores participaram do debate, expondo seus pontos de vista e se posicionando em relação aos temas apresentados. O presidente da BR Fair, Guido Reguim Filho (União dos Produtores de Cafés Especiais dos Martins – Unipcafem – Varginha) destacou a importância do associativismo e deste tipo de debate para a cafeicultura familiar. A participação dos representantes da BR Fair foi apoiada pelo SEBRAE MG.
Outro ponto destacado refere-se à necessidade de maior articulação entre os diferentes programas de certificação dentro do país visando traçar estratégias de promoção de soluções tecnológicas para problemas comuns entre selos. Nesse sentido, inicia-se a articulação do 3º Simpósio de Cafés Certificados Sustentáveis, que deverá ser realizado em abril de 2013, em Poços de Caldas.
Após os debates, aconteceu a degustação de cafés da cafeicultura familiar por provadores e compradores nacionais e internacionais, na sala de Cupping, onde foi possível uma integração entre cafeicultores e experts em qualidade sensorial de café. Alguns cafés da agricultura familiar também foram selecionados para participar das rodadas de negócios, que aconteceram durante o evento.
Mulheres do Café
Fundada em 2003 a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA, na sigla inglesa) foi resultado de um encontro entre mulheres da indústria do café com as mulheres no mundo produtor. A ONG, que já conta com unidades em vários países, como Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, República Dominicana, Colômbia e Burundi, tem como objetivo formar uma aliança global, empenhada em reduzir as barreiras para mulheres localizadas em todas as fases da cadeia produtiva do café, promovendo o acesso a recursos e a capacitação.
Em 2011, a IWCA Brasil foi fundada no Espaço Café Brasil, com a assinatura da Carta de Intenção para a primeira Aliança das Mulheres do Café no país. Nesta edição, na presença de carca de 40 integrantes, foi oficialmente assinado o Memorandum Of Understanding pela vice-presidente da IWCA, Johanna Bot, e a presidente da Aliança no Brasil, Josiane Cotrim Macieira. As Mulheres do Café no Brasil estão se organizando em torno da proposta de empoderamento feminino no sistema agroindustrial do café. Foi lançada a semente!
Considerações
O Espaço Café Brasil ocupa uma lacuna existente entre dois universos cafeeiros, o da produção e o do processamento/consumo. É uma iniciativa privada e deve ser apoiada pelos formuladores de políticas cafeeiras, pois se consolida como a grande vitrine dos Cafés do Brasil.
Vida Longa ao Espaço Café Brasil!
*Sérgio Parreiras Pereira é Engenheiro Agrônomo; Mestre em Fitotecnia; Pesquisador Cientifico do IAC – Centro de Café ‘Alcides Carvalho’; Doutorando da Universidade Federal de Lavras – UFLA e Coordenador do Núcleo de Manejo da Lavoura Cafeeira do CBP&D/Café.
As informações são do Peabirus, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
Indicadores de desempenho da cafeicultura brasileira
O MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, junto à SPAE -SECRETARIA DE PRODUÇÃO E AGROENERGIA e o DCAF -Departamento do Café-, lançam os indicadores econômicos da cafeicultura brasileiro.
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Mercado de cafés especiais no Brasil dobra em três anos
Filho de inglês, Dennis Freeman viveu na Califórnia, se casou com uma italiana, e decidiu ser um empresário brasileiro. No Itaim, em São Paulo, abriu uma pequena padaria orgânica, um estabelecimento de apenas 80 metros quadrados, onde decidiu investir em cafés especiais. “O café gourmet caiu do céu para mim”, diz ele ao explicar que vende o produto “que nem água”. Por semana, a padaria comercializa cerca de 3 mil xícaras de café, “bastante se você considerar nosso tamanho”. Porém, para vender tanto, Dennis fixou o preço de cada xícara em R$ 4,50, muito abaixo do valor praticado pelos concorrentes da região (uma xícara de expresso gourmet pode custar até R$ 10). Por enquanto, ele quer que os clientes experimentem o produto, “quando você prova um café desses, sente a diferença e vai querer tomar de novo”.
Parece que Dennis está certo. Os números do mercado interno mostram que o café especial está caindo no gosto do brasileiro. Em 2008, das 17 milhões de sacas de café consumidas no país, apenas 500mil eram especiais ou gourmet. Em 2011, das 20 milhões de sacas consumidas por aqui, 1 milhão era especial. “O hábito de ir a cafeterias ainda não é popular no Brasil, mas pode ser difundido para a nova classe média”, diz Vanúsia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). “Houve um aumento de cafeterias em shoppings, essa é a porta de entrada para a classe C”, diz.
Apesar da popularização da bebida, os cafés especiais dificilmente ocuparão as prateleiras de supermercados populares. “A demanda interna ganhou fôlego há dois anos, mas café de boa qualidade em mercado ainda é um desafio para o mundo todo”, diz Sílvia Magalhães, diretora da Italian Coffee e também tricampeã brasileira na arte de preparar cafés. Cada quilo de café especial pode custar de R$ 30 até R$ 180, enquanto um quilo de café popular (consumido por 80% dos brasileiros) custa em média R$ 13, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
As informações são do iG São Paulo, adaptadas Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
Está faltando mão de obra nos cafezais
A família Rosseto, cafeicultora em Mandaguari-PR, recentemente desembolsou R$ 380 mil para comprar uma colhedeira, o que reduziu a quantidade de trabalhadores necessária para o serviço. Nos últimos anos, por falta de gente para a colheita, os Rosseto vêm enfrentando dificuldades, o que é comum em toda a região de Maringá-PR. De quebra, como eles não queriam mais ficar à mercê das intempéries, diminuíram o risco das estiagens implantando um sistema de irrigação em grande parte dos cafezais.
“Agora ficou muito melhor”, afirma o produtor Marcelo Gonçalves Rosseto, contente com os resultados. Segundo ele, a irrigação favorece a produtividade do café e a máquina – que colhe 16 pés por minuto -, economiza tempo e reduz em 25% os custos.
A mecanização é um dos assuntos do 8º Encontro de Cafeicultores organizado pela cooperativa Cocari, em Mandaguari. O evento que começa às 14 horas de hoje no Centro de Convenções Décio da Silva Bacelar, deve reunir centenas de participantes.
O tema é recorrente em quase todas as regiões produtoras de café do Paraná. No noroeste do Estado, cafeicultores têm se unido para trazer colheitadeira alugada de Minas Gerais. A mecanização só não é possível em municípios montanhosos, onde as máquinas são inviáveis.
Preço menor
A queda dos preços do café este ano não desanima os produtores. “Cabe ao cafeicultor reduzir custos e investir em produtividade”, afirma o técnico da Cocari, Simões Rodrigues, explicando que a atividade é uma das mais rentáveis principalmente para pequenas e médias propriedades. De janeiro a setembro, segundo números da agência Bloomberg, as cotações do produto caíram 23%, porcentual que sobe para 33% se considerados os últimos 12 meses.
As notícias sobre o futuro próximo da cafeicultura, em nível mundial, são pouco auspiciosas. A Organização Internacional do Café (OIC) revisou para cima sua estimativa para a produção global de café 2011/12 para 134,3 milhões de sacas de 60 kg. O volume é superior à projeção do mês passado, de 132,7 milhões de sacas.
A OIC atribui o aumento, em parte, a uma safra vietnamita maior que o esperado, o que também acontece na Colômbia. E a safra brasileira, superior a 50 milhões de sacas, é a maior de todos os tempos (há controversas, a exemplo de números divulgados esta semana pelo IBGE – leia aqui). Em contrapartida, o consumo está aumentando. A entidade estima o consumo global em 139 milhões de sacas, acima das 137,2 milhões do ano anterior.
As informações são de O Diário, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
Colheita do Vietnã deve pressionar redução de preços de café robusta
Os futuros do café robusta estenderam suas perdas para cerca de 5% em três sessões, após dados mostrarem que os estoques mantidos pelos armazéns monitorados pela bolsa de Londres eram de 120.280 toneladas no começo do mês, indo contra a longa tendência de baixa. Ideias de liberação de ofertas parecem ganhar terreno à medida que o Vietnã se prepara para colher no próximo mês.
“Precisa ser criado um espaço no maior país cultivador de robusta para a nova colheita”, disse o Commerzbank. “Velhos estoques estão sendo vendidos a preços reduzidos”.
De fato, o comerciante de café Volcafe, parte do ED&F Man, revelou na sexta-feira que o café vietnamita para envio em outubro e novembro, abriu com um desconto de US$ 30 a tonelada para futuros em Londres, comparado com US$ 20 a tonelada na semana anterior.
O valor dos preços vietnamitas estaca “caindo para o presente e para a nova colheita”, disse a Volcafe, com localizada na Suíça. “A pressão para liquidar os atuais estoques está aumentando”.
Entretanto, os valores do café robusta podem ganhar mais suporte considerando as previsões de colheita para esse ano no Vietnã, caindo com relação à colheita da estação anterior, disse o Commerzbank. “Chuvas excessivamente elevadas poderiam resultar no volume da próxima colheita sendo 15% menor do que o nível recorde do ano anterior. Isso deverá apoiar os preços em médio prazo”.
A Organização Internacional de Café (OIC) na semana passada aumentou suas estimativas de colheita de café no Vietnã em 2011-12, para 22,5 milhões de sacas, apesar de outros analistas acreditaram que a colheita será ainda maior.
A Volcafe previu uma colheita de 27 milhões de sacas, e de 26 milhões de sacas para 2012-13, enquanto o Coffee Network previu que a última colheita foi de 26,5 milhões de sacas e a próxima será de 24 milhões de sacas.
O Commerzbank foi mais ambivalente nos preços dos grãos arábica, citando a melhor produção na Colômbia, onde a produção aumentou em 13,1% com relação ao ano anterior para 519.000 sacas em setembro. Entretanto, o banco alertou que as chuvas que refrescaram os estágios iniciais da colheita do Brasil de 2013 poderão aliviar os cafezais “somente temporariamente” do clima seca que tem fornecido condições piores que a ideal para um bom período de floração.
A reportagem é do Agrimoney, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
China: faturamento do negócio café aumenta 92% em 5 anos
Ainda que o consumo no país asiático seja de apenas três xícaras anuais por pessoa, as perspectivas de crescimento são muito positivas. “O Japão se encontrava nos anos sessenta em um nível de consumo similar ao do chinês atual, consumindo por volta de 7 milhões de sacas. É provável que a China siga um processo de crescimento análogo”, advertia há três anos o ex-presidente da Organização Internacional de Café (OIC), Néstor Osorio.
As previsões de Osorio parecem sábias. O negócio em torno do café da China faturou US$ 992 milhões em 2011, um aumento de 20% com relação ao ano anterior, e de 92% em cinco anos, segundo uma pesquisa de mercado do Euromonitor International. No total, a China importou 43 mil toneladas de café durante o ano passado, segundo dados oficiais. Noventa por cento dessas importações de café provieram dos países do sudeste da Ásia, com o Vietnã liderando as vendas. A Colômbia ficou em quinto lugar como fornecedor de café verde da China, com vendas de 7.400 sacas em 2011 e uma cota de mercado de 1%.
Juan Valdez chega à China com uma estratégia pensada para aproveitar o ‘boom’ de consumo de café, mas apontando a um nicho muito particular que começa a se desenvolver. Sua lógica é que se há um grupo de consumidores que conhece os benefícios do café torrado em grão, deve existir um público pronto para mudar para o café de alta qualidade em suas casas.
Ao se comprovar mediante estudos de mercado que o interesse no café colombiano era grande em muitas cidades, a Procafecol – companhia responsável pela marca Juan Valdez e a empresa chinesa, Beijing Junjie Trade, decidiram apostar na internet para distribuir o produto em todo o território. Pra isto, decidiram lançar o produto através do Yihaodian, o portal especializado em alimentos que conta com um amplo catálogo de produtos gourmet.
“Nessa primeira etapa, vamos oferecer unicamente café torrado em grão e moído, para posicionar a Juan Valdez como uma marca premium e colocá-la na moda”, disse o representante da Federação Nacional de Cafeicultores em Pequim, Jia Hang Wu. Uma parte importante da estratégia comercial é educar o consumidor, de forma que o portal de Yihaodian – onde os pacotes de meia libra (aproximadamente 225 gramas) é vendido entre US$ 15 e US$ 33 – ensina como preparar e desfrutar o produto.
Em uma segunda etapa, que começará em 2013, os cafés Juan Valdez estarão disponíveis em outras lojas populares virtuais chinesas, como Taobao, 360buy e Amazon. E depois, entrarão no mercado chinês como cafés solúveis e liofilizados, para buscar também os consumidores comuns.
A estratégia de Juan Valdez obedece o crescimento que vem sendo registrado no comércio eletrônico na China. Somente em 2011, as vendas online cresceram em 66% e alcançaram US$ 124 bilhões.
Outras marcas colombianas estão tentando desenvolver nichos diferentes. A Colcafé optou pelos cafés solúveis, inclusive, em apresentações “2 em 1”, em lojas e supermercados, competindo com as grandes marcas dentro dos produtos importados. Entretanto, pequenos produtores, como Colombiam Mountain Coffee, Café Granja La Especial e Finca El Santuario posicionaram seus cafés altamente especializados – cujos pacotes de 12 onças (aproximadamente 373 gramas) podem custar US$ 140 – como produtos de luxo, em bancos e clubes executivos privados.
A Colômbia chega tarde a um mercado que é dominado por marcas internacionais e perdeu a oportunidade de introduzir os benefícios do café colombiano no momento em que os chineses estavam apenas aprendendo a tomá-lo. Ao chegar hoje, as marcas colombianas enfrentam uma forte competição. No entanto, em um mercado tão diverso e crescente como o chinês, ainda há oportunidades, também para outros países produtores da América.
A reportagem é do Portafolio.co., traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
Café como um produto de novo luxo: tendências e oportunidades
*Por Maria Fernanda Brando
Embora haja boatos e percepções de que o consumo de café esteja menos intenso ou mesmo caindo em países tradicionais como Itália e Estados Unidos devido a vários fatores, incluindo a crise recente, parece haver um movimento contrário em países emergentes e em desenvolvimento, como Brasil, México, Colômbia e Indonésia, onde o consumo de café continua crescendo.
Existem claras indicações de que o negócio café está passando por grandes mudanças em muitos países da Europa e América do Norte. Os consumidores parecem estar mudando seus hábitos de consumo, às vezes recorrendo a opções mais baratas como as marcas próprias de café de grandes varejistas (Costco, Wal Mart, Carrefour) ou indo à cafeteria menos vezes por semana que antes. As importações de café por mercados relevantes como Espanha, Itália e França diminuíram no período de Outubro 2011 a Maio 2012 quando comparado com o período 2010/11, de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC). Os estoques de Arábica certificados pela ICE atingiram recordes de alta históricos enquanto os estoques de Robusta na LIFFE-Londres testemunharam grandes quedas, indicando a demanda mais fraca por Arábica e o crescimento do Robusta nos blends de torrado & moído das grandes indústrias.
Uma imagem diferente é pintada nos países produtores de café da América Central, América do Sul e Ásia, onde o consumo de café está “explodindo” não somente em termos de volumes crescentes como também em relação a tendências vibrantes e dinâmicas. A rápida expansão da classe média em países como Brasil, México e Índia aproximou milhões de consumidores do café, entre outros produtos. Hoje existe mais gente com mais renda disponível disposta a comprar coisas e testar novas experiências que os atraem ou que os fazem se sentir melhor. Há um movimento generalizado em direção a melhores produtos e serviços, e o café não é exceção.
Os consumidores estão propensos a pagar mais por produtos que ofereçam benefícios, sejam eles técnicos, funcionais ou emocionais. No café, os consumidores estão buscando uma experiência agradável, seja numa cafeteria ou em casa. As cafeterias estão se expandindo rapidamente na Índia, China, México e El Salvador e são geralmente percebidas como lugares aspiracionais, onde se quer estar, especialmente entre consumidores da classe média. Nestes estabelecimentos, jovens e adultos podem experimentar cafés e preparações de maior valor, como espressos de alta qualidade, lattes e machiattos num ambiente envolvente. Para os segmentos casa e escritório, as máquinas de café monodose – Senseo, Nespresso, Dolce Gusto – são agora objetos de desejo. Sachês e cápsulas oferecem ao consumidor uma experiência de café diferenciada: consistência de qualidade, conveniência e inovação que podem ser compartilhadas com amigos e familiares. Estes produtos de café representam uma nova onda do consumo: o luxo acessível.
Mais e mais, consumidores de classe média têm a possibilidade e o desejo de comprar produtos premium. Os chamados consumidores de “novo luxo” querem mais qualidade de produtos e serviços a um preço acessível. Ele/ela escolherão estes produtos a partir do momento que entendam os benefícios do preço premium. É um padrão visível em diversas categorias, do iogurte à cerveja, de celulares a geladeiras. Para cada consumidor existe uma ou mais categorias em que ele/ela sente que vale a pena gastar mais. Para alguns pode ser uma lavadora de roupas de alta tecnologia, para outros, um cruzeiro no exterior e para outros pode ser uma máquina de café com design inovador.
Na maioria dos países produtores de café onde tomar café sempre foi um hábito tradicional, um ritual familiar que traz conforto, o movimento do novo luxo apresenta muitas possibilidades para o negócio. A categoria, geralmente considerada popular, com poucos diferenciais e competição acirrada de preços, pode ser literalmente transformada em uma categoria premium, com valor agregado para a indústria, atratividade ao consumidor e benefícios para toda a cadeia do café.
A P&A Marketing é a nova parceira de conteúdo do CaféPoint. Seus consultores contribuirão periodicamente com artigos sobre tendências de consumo, indústria e mercado de café.
*Maria Fernanda Brando é consultora na P&A Marketing, especializada em café, marketing e consumo, tendo coordenado projetos de aumento de consumo de café em diversos países produtores. Atualmente coordena projetos na área de comunicação e sustentabilidade para a cadeia do café. Maria Fernanda estudou Relações Públicas na ECA-USP, formou-se em hotelaria no SENAC, é pós-graduada em marketing pela ESPM e recentemente conclui um MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Fonte: Portal Café Point
IBGE: safra brasileira de café arábica é estimada em 38,1 milhões de sacas em 2012
O acréscimo, em setembro, de 0,1% na estimativa nacional de produção da safra 2012 de café arábica, é creditado ao Estado de São Paulo, cuja variação, isoladamente, é de 13,3% em relação ao mês anterior.
Já na Bahia (-22,6%) e no Ceará (-18,3%), os decréscimos observados são justificados pela seca que assola a Região Nordeste este ano. O Espírito Santo, também produtor de café arábica, apresenta uma redução de 2,9%. Minas Gerais, maior produtor brasileiro, não apresenta variações expressivas.
A safra nacional de café arábica para 2012, apesar dos atrasos na colheita, aproxima-se do final e está estimada em 38,1 milhões de sacas de 60 kg, equivalentes a 2.284.439 toneladas, 16,2% maior que em 2011. A área de colheita apresenta acréscimo de 1,0% em relação à safra passada, totalizando 1.590.975 hectares. A área total ocupada com a cultura é de 1.776.320 hectares, 1,4% maior que a de 2011. O acréscimo estimado no rendimento médio (15,1%) deve-se à particularidade que apresenta o arábica de alternar anos de altos e baixos rendimentos.
Minas Gerais, o maior produtor brasileiro de arábica, informa que, além de 2012 ser um ano de “safra cheia”, as condições do mercado em 2011 estimularam produtores a investirem na cultura, gerando aumento na produção de 17,6% em 2012. A partir da segunda semana de janeiro até o início do mês de março, as chuvas escassas comprometeram o enchimento de grãos em algumas regiões de Minas Gerais. Os cafeicultores mineiros enfrentaram atrasos na colheita, em função de chuvas incomuns no inverno, e perdas na qualidade do produto, em parte colhido no chão.
As informações são do IBGE e do CNA, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point
Momento solidariedade: Sindicafé participa de ação em prol ao tratamento do câncer infantil
Fecomércio-ES sela apoio à entidade que oferece assistência ao Câncer Infantil.
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Presente na reunião mensal da Fecomércio-ES o representante do Sindicafé, Saulo Venâncio da Costa, participa da adesão do sistema Fecomércio em prol da Acacci Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil-. A assinatura do termo de colaboração visa oferecer apoio à causa nobre da Associação Capixaba. Esta ação concede ao Fecomércio-ES o direito de utilizar o selo Compromisso com a Criança.
A Acacci há 24 anos presta assistência integral às crianças, adolescentes e suas famílias no Espírito Santo. A ação envolve tratamento da doença, além de auxílio econômico, social e psicológico a todos os envolvidos, em que também oferece continuidade no tratamento dos pacientes. O termo de adesão assinado durante a reunião reforça o apoio e carinho para as pessoas que dedicam tempo às crianças e é apenas o primeiro passo de parceria junto à Associação.
Em continuidade, a reunião discute a pauta referente à Convenção Coletiva dos filiados à Federação, informou sobre as reuniões e eventos deste último trimestre e já lança a data da primeira reunião de 2013.
Convenção Coletiva
Já está disponível em nosso site a Convenção Coletiva do Trabalho do Sindicato do Comércio de Café e Armazéns em Geral do Estado do Espírito Santo Sindicafé/ES-. Acesse http://sindicafe.com.br/arquivos/7UR8hConvencao_Coletiva_de_Trabalho_-_2012-2013.pdf e visualize o documento na íntegra.
Fonte: Assessoria de Comunicação Sindicafé
Mulheres do Café
Josiane Cotrim Macieira, 53 anos, natural de Manhumirim, Minas Gerais é da quarta geração de uma família de cafeicultores familiares. Estudou Jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e é mestre em Comunicação Política pela Dublin City University. Casada com o Embaixador do Brasil na Noruega com quem tem 2 filhas, já morou no Iraque, França, Irlanda, Suíça e Nicarágua onde conheceu o trabalho da IWCA – International Women`s Coffee Alliance, entidade que tem como objetivo estimular e reconhecer a participação das mulheres em todos os segmentos da cadeia produtiva do café. Apaixonada por café e sobretudo pelas pessoas envolvidas na produção, Josiane está atualmente engajada no desenvolvimento da IWCA no Brasil.
Em ocasião da realização do 7° Espaço Café Brasil, a Embaixadora da IWCA no Brasil concedeu entrevista ao CaféPoint, que teve a oportunidade de acompanhar sua participação ativa nos 3 dias de evento. Josiane nos contou toda vontade, luta e muito trabalho para elevar a condição das “Mulheres do Café” em meio ao cenário do mercado cafeeiro, algumas vezes pouco gentil a estas damas que compõem parte significativa deste setor.
CaféPoint: Conte-nos um pouco sobre a IWCA e suas metas?
Josiane Macieira: A IWCA – International Women`s Coffee Alliance nasceu há 10 anos do encontro de mulheres da indústria dos EUA e Canadá com produtoras da Nicarágua. Sua missão é dar poder às mulheres da comunidade do setor cafeeiro internacional, estimular e reconhecer a participação das mulheres em todos os segmentos da indústria do café, do grão à xícara.
Esta Aliança proporciona a infraestrutura necessária para cumprir com nosso objetivo. Constitui o veículo que facilita a transferência de conhecimento, o fortalecimento de uma rede de contatos, a execução de cursos de treinamento e a incorporação das mulheres na cadeia de abastecimento. Em suma, trata-se de “business”. Nós mulheres precisamos aprender a comercializar. Já provamos que sabemos produzir cafés de qualidade. Agora precisamos saber como vender esse produto bem.
Para isto, oferecemos treinamento, capacitação e desenvolvimento das lideranças. Em resumo, trata-se de preparar as mulheres para que façam negócios que beneficiem suas famílias. A IWCA tem o compromisso de desenvolver ações que gerem benefícios de integração e valorização das mulheres nos países produtores.
Diversos estudos demonstram que a melhoria do status das mulheres é uma das estratégias mais acertadas para confrontar os desafios que enfrentam as comunidades ao redor do mundo. As mulheres investem a maior parte de seus ganhos na educação, nutrição e saúde de seus filhos, conforme provam pesquisas realizadas.
CaféPoint: Desde quando a IWCA atua no Brasil?
J.M.: A Aliança funciona criando capítulos nos países, sobretudo nos produtores. No Brasil, a IWCA Brasil começou a ser criada em 2011 no 6° Espaço Café Brasil, quando realizou-se um seminário com mulheres de várias regiões produtoras. Isso foi possível graças ao apoio do Sebrae e na ocasião foi assinada a carta intenções para a IWCA Internacional, manifestando o desejo das brasileiras de fazerem parte da organização.
Um ano depois, durante o 7° Espaço Café Brasil, entre 04 e 06 de outubro, assinamos a Carta de Entendimento criando o capítulo brasileiro. Em um ano foram cumpridos todos os passos estipulados pelo Protocolo de Criação de Capítulos da IWCA. Elegeu-se uma diretoria que representa toda cadeia do negócio café, do grão à xícara, venceu-se as diversas etapas burocráticas e agora a Aliança existe de fato e de direito no maior produtor, exportador e segundo consumidor de café do mundo.
CaféPoint: Durante o 7° Espaço Café Brasil vocês assinaram oficialmente, como relatou, a Carta de Entendimento. Conte-nos um pouco sobre a importância deste ato.
J.M.: Criar um capítulo da IWCA no Brasil abre muitas oportunidades para as mulheres, não apenas no país, como internacionalmente. Como maior produtor e exportador de café verde do mundo, o Brasil não poderia ficar de fora dessa organização. Precisamos mostrar ao mundo que tem gente também envolvida na produção de cafés no Brasil. Inclusive, muitas mulheres que, aparentemente, são invisíveis. Com a oficialização deste ato, nossa missão no Brasil será dar voz e vez a todas as mulheres desse setor que emprega mão de obra como nenhum outro no país.
CaféPoint: Vocês tiveram uma forte participação neste evento, com palestras, sala de cupping, além de assinaturas expressivas. Estão satisfeitas com os resultados?
J.M.: Os resultados desse segundo encontro superaram nossas expectativas. Conseguimos trazer palestrantes para realizar duas manhãs de seminário. Todas voluntárias, vindas de Brasília, Rio de Janeiro, ninguém faltou. Nossa programação foi cumprida como previsto. O Sebrae apoiou o encontro financiando a ida de produtoras de diferentes regiões cristalizando uma parceria que está funcionando muito bem. As cooperativas também contribuíram. Por exemplo, a Coocaram de Rondônia enviou duas produtoras de Ji Paraná. Isso é para nós uma grande vitória, integrar no nosso encontro mulheres da região mais remota do país. Rondônia e seus produtores de café merecem mais atenção.
Além disso, o cupping que foi formatado para ser um treinamento para aquelas que nunca haviam participado de uma atividade assim, acabou atraindo a atenção de compradores e muitas conseguiram vender seus cafés por preços muito bons. Muito saber que já estamos fazendo a diferença no setor oferecendo mais oportunidades de comercialização. Isso só foi possível graças ao envolvimento de baristas e provadoras que estão trabalhando voluntária e espontaneamente nos eventos realizados pela IWCA Brasil.
CaféPoint: Como as mulheres produtoras do país podem conhecer melhor a IWCA e quais os métodos e procedimentos para integrar-se à associação?
J.M.: Estamos indo muito rápido. As mulheres que participaram do seminário em São Paulo irão replicar a experiência nas respectivas regiões e assim atingiremos a ponta da cadeia. Essa é a metodologia da IWCA “success through localization”. É assim que vamos levando a mensagem da Aliança e criando uma rede disseminadora de nossas ideias nos diversos eventos de café que ocorrem no país. Nossa intenção é realizar cursos de treinamento para mulheres durante os simpósios e encontros do setor, incluir a participação de palestrantes mulheres que possuem trabalhos científicos sobre café.
Normalmente não vemos muitas mulheres nos eventos de café, nem nas mesas de apresentação nem como palestrantes. E, no entanto, temos muitos trabalhos interessantes realizados por pesquisadoras que merecem ser divulgados. Por isso contamos com o apoio dos homens para que eles percebam que é preciso diversificar, homens e mulheres juntos. Como acontece nos países desenvolvidos. Os países onde homens e mulheres participam igualmente das decisões e das discussões possuem economias mais competitivas e um crescimento mais rápido, como demonstram estudos realizados.
E é por isso que a formação de capítulos da IWCA através de figuras organizacionais sem fins de lucro, legalmente estabelecidas de acordo com a ordem jurídica de cada um dos países produtores cria importantes conexões nacionais e internacionais entre as mulheres que pertencem à indústria cafeeira.
A IWCA tem um site www.womenincoffee.org e vamos ter um link onde a IWCA Brasil irá informar sobre suas atividades. Disponibilizamos também uma página no Facebook. Temos a convicção de que poderemos incluir digitalmente as mulheres do meio rural. Esse é o nosso desafio. Só assim conseguiremos contribuir para que os jovens no campo possam interagir com o mundo exterior.
A participação é aberta. Estamos concluindo nosso regimento interno para estabelecer algumas regras, mas em princípio toda e qualquer interação é bem-vinda, seja na nossa página no Facebook Iwca Brasil ou por email: iwcabrasil@groups.live.com.
CaféPoint: Quais os próximos passos da IWCA Brasil?
J.M.: O céu é o limite. Entendo que não seja fácil entender o que é a aliança, uma vez que não se trata de uma organização nos moldes convencionais. No mundo atual onde a única constante é a mudança, o funcionamento em rede virtual é uma coisa nova com a qual temos de nos habituar. E as mulheres do campo não podem se alijar desse processo.
Esperamos que o capítulo brasileiro da IWCA possa promover o reconhecimento do papel das produtoras na indústria e que os consumidores reconheçam os benefícios que proveem das mulheres à comunidade cafeeira global e esses respaldem os produtos que estão associados ao desenvolvimento social.
Entrevista concedida por Josiane Cotrim Macieira, Embaixadora da IWCA no Brasil, a André Sanches Neto, Coordenador de conteúdo e Analista de mercado do CaféPoint.
Fonte: Portal Café Point