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Estudo sugere modelos de gestão mais lucrativos a produtores de cafés especiais

O consumo crescente de cafés de melhor qualidade no Brasil e no mundo vem estimulando cafeicultores na busca de produtos de maior rentabilidade e que possam contribuir para a proteção econômica do segmento. Em decorrência, o setor tem procurado diferenciações nesta commodity, resultando daí a produção de grãos de qualidade superior, como os classificados de cafés especiais ou gourmets. A elevação dos produtos a esta categoria envolve cuidados diferenciados, desde a produção até a comercialização. 

Os bons resultados, além de atrelados às características geomorfológicas da região de cultura, resultam de técnicas adequadas, do plantio à manutenção das plantas; de cuidados especiais dispensados às colheitas; da separação de grãos selecionados com base nas características esperadas para a bebida; do emprego condizente de processos de torrefação, embalagem e até de preparo da bebida. Desse conjunto resultam bebidas diferenciadas, não amargas, mais puxadas para o doce, e até com sabores específicos, a exemplo das que ostentam naturalmente o sabor de caramelo, o que leva muitos a ingeri-las sem açúcar para maior percepção dos seus aspectos sensoriais.

O leigo imagina que os produtores desses grãos recebam uma remuneração diferenciada na sua comercialização. Essa visão é reforçada pelo preço de um simples cafezinho gourmet, que em cafeterias mais sofisticadas da cidade de São Paulo chega a oito reais. Mas, nem sempre o resultado financeiro da valorização maior desse grão pelo mercado consumidor chega ao produtor. Foi o que constatou Allan Vieira de Castro Quadros compulsando inicialmente estudos específicos desenvolvidos principalmente por pesquisadores da USP e acessando entrevistas realizadas com produtores. 

Diante desta constatação prévia, ele se propôs a avaliar a extensão do problema e determinar qual seria a estrutura econômica necessária, denominada genericamente de estrutura de governança, que permitiria redução dos custos de transação e apropriação de maior renda pelo ruralista na comercialização do produto diferenciado. Durante o trabalho, o pesquisador se deparou efetivamente com vários problemas que impedem em muitos casos que o cafeicultor usufrua maior lucro em um produto requisitado por um mercado consumidor mais exigente.

Com base em bibliografia específica, envolvendo produção e comercialização de café e utilizando subsídios clássicos da teoria economia, Allan elaborou previamente algumas hipóteses que explicassem essa aparente contradição: que fatores impedem que um produto mais nobre gere maior renda para o produtor? Mesmo porque em economia considera-se que a diferenciação na produção constitui um dos caminhos para obtenção de maior renda, o que não acontece com segmentos de produtores de café gourmet, mesmo quando vencedores de concursos de qualidade. “Então eu me propus a mostrar como produtores de café considerados gourmet poderiam conseguir obter maior rendimento na comercialização do produto. Ou seja, que formas de gestão, que estruturas de governança deveriam ser adotadas na estruturação do negócio para obtenção de uma remuneração diferenciada e mais adequada a uma qualidade igualmente diferenciada”, diz ele.

O pesquisador então elaborou previamente algumas hipóteses. Essas levaram à seleção de alguns estudos de caso que permitissem confirmar ou não o acerto das proposições iniciais. Esses estudos envolveram pesquisas junto a um grande produtor, uma cooperativa e cinco produtores cooperados de porte médio e pequeno, todos da região da Alta Mogiana – que abrange o nordeste do estado de São Paulo, em que se destacam as cidades de Franca e Pedregulho, e avança até o sul de Minas Gerais – tradicionalmente conhecida como produtora de cafés de excelente qualidade pelas suas características geomorfológicas e que, segundo alguns especialistas, exibe cafés que se rivalizam com os colombianos, considerados os melhores do mundo.

Entre as hipóteses aventadas, Allan Quadros sugeriu a verticalização do negócio. Além da produção, o cafeicultor deveria manter uma torrefação, criar uma marca e comercializar diretamente o produto com os revendedores ou até, em certos casos, fazê-lo diretamente com o consumidor. Esta seria a forma de conseguir maior renda, porque o maior ganho acaba em geral sendo das empresas que beneficiam o produto, caso das torrefadoras, que separam os melhores grãos e fazem chegar ao comércio um café de melhor qualidade por maior preço. 

Esta seria uma das hipóteses. Entretanto, o processo exige investimentos de certo vulto, que podem comprometer eventuais lucros, o que o torna inviável para os pequenos e médios produtores. Para atender a esses dois segmentos, ele sugere a organização em cooperativas, recurso sobejamente tratado na teoria econômica. 

A cooperativa viria a constituir então outra estrutura de governança, ainda que diversa da simples verticalização. Ou melhor, a associação horizontal permitiria a um conjunto de produtores a integração vertical. O pesquisador explica: “Parti do pressuposto de que essa seria a saída mais viável para o pequeno e médio produtor. A torrefação e a marca do café especial /gourmet passam a ser do grupo de cooperados e a comercialização se torna mais viável por se tratar de um conglomerado capaz de estabelecer contatos mais amplos e com maior poder de barganha”.
Mas a comprovação da viabilidade desse tipo de governança exigia um estudo de caso, baseado preferencialmente no que ocorre em uma região produtora de cafés especiais de excelente qualidade, que dispusesse de uma cooperativa com pequenos e médios cooperados e que mantivesse uma indústria de torrefação e uma marca de café gourmet. Ao decidir-se pela Alta Mogiana, ele centrou os estudos em uma cooperativa e em cooperados com o perfil desejado e também em um grande produtor, de forma a estabelecer um contraponto com os pequenos e médios cafeicultores.

Entrevistando cinco produtores pequenos e médios de cafés gourmet, Allan verificou que o seu pressuposto não se verificava, pois não conseguiam que a cooperativa os comprasse com maior valor. Embora pagasse o mesmo preço de uma commodity, a cooperativa vendia esse café de qualidade superior por um preço maior, ficando com os lucros que não chegavam aos produtores. 

É verdade que durante os concursos de qualidade por ela promovidos pudessem ocorrer vendas diretas de lotes de grãos a torrefações por um preço maior e mais condizente com a qualidade do produto. Além disso, quando procurada por grandes compradores, a cooperativa indicava-lhes os produtores que dispunham do café com a qualidade procurada. Nesses casos, o produtor também efetivamente se beneficia diretamente com a venda por melhor preço.

O pesquisador verificou que, entre os produtores, existe consenso sobre a importância da cooperativa em relação à orientação técnica que ela lhes proporciona com vistas à obtenção de grãos cada vez melhores e sobre a facilitação da comercialização dessa commodity. Reconhecem ainda a importância dos contatos que a cooperativa promove permitindo a venda direta aos compradores de cafés gourmet. Mas essas alternativas não lhes oferecem segurança porque não garantem que a empresa de torrefação venha a comprar o produto sistematicamente do mesmo produtor. Já em relação ao grande produtor, pelo menos no que diz respeito ao caso estudado, o modelo da verticalização se mostrou plenamente viável, inclusive com a instalação de pontos com vendas diretas ao consumidor de cafés gourmet e até instalação de cafeterias sofisticadas, particularmente em grandes centros.

Com base nos estudos de casos envolvendo cafés especiais / gourmet, Allan conclui que a estrutura verticalizada é adequada ao grande produtor; a estrutura horizontal se mostra eficiente na intermediação de contratos entre cooperados e torrefadoras; e a coordenação horizontal acompanhada da integração vertical, que caracteriza as cooperativas, não se mostra eficiente para os produtores desses produtos diferenciados.

Ele termina o trabalho sugerindo a avaliação de cooperativas e produtores de cafés de alta qualidade de outras regiões a fim de verificar a compatibilidade dos resultados. Propõe também uma pesquisa mais abrangente, que abarque maior número de produtores e que permita maiores generalizações e extrapolações dos dados obtidos.

As informações são do Jornal da Unicamp, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

El Salvador: exportações de café caíram 39% nesta safra

As exportações totais de café de El Salvador na temporada fechada 2011/12 (outubro/setembro) ficaram em 1,06 milhão de sacas, tendo queda de 39% no comparativo com 2010/11. As informações partem do Conselho do Café de El Salvador, noticiaram agências internacionais.

No acumulado da temporada 2011/12, a receita com os embarques chegou a US$ 311,6 milhões, tendo declínio de 32% contra 2010/11. O preço médio das vendas na temporada foi de US$ 2,26 a libra-peso.

A queda nas exportações foi reflexo de uma safra em recuperação após a alta produtividade de 2010/11. Em 2012/13, na temporada que se inicia, a produção deverá ter nova recuperação.

Entre os principais destinos das exportações salvadorenhas no acumulado da temporada ficaram os Estados Unidos, que representaram na temporada 36% do total; seguidos da Alemanha (21%); e Japão (11%).

As informações são da Agência Safras, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

UTZ Certified visa tornar sustentável 50% da produção mundial de café, cacau e chá em 10 anos

Metade da produção mundial total de café, cacau e chá deveria ser tornada sustentável na próxima década. Esta é ambição que a UTZ Certified anunciou em seu seminário de 10. aniversário ‘Eye on the Future’ (‘De olho no futuro’) que teve lugar ontem, em Amsterdã, Holanda. A assembléia reuniu diferentes participantes para discutir a UTZ e o futuro papel e posição do programa no âmbito da certificação.

A UTZ Certified objetiva expansão futura ao aumentar a escala, ampliar o empenho do setor e, acima de tudo, construir uma sólida rede de agricultores, sociedade civil, ONGs e outros participantes relevantes da cadeia fornecedora. Ao combinar alta tecnologia com a força da natureza, a UTZ tenciona desenvolver práticas agrícolas mais resilientes, aumentar a produção , reduzir a pegada e melhorar o sustento dos produtores.

Rastreabilidade, água potável e proteção do solo
Especialistas presentes no Seminário afirmaram que um certo nível de harmonização de padrões e rótulos para todo o setor poderia ser útil para um atendimento cada vez maior das necessidades dos produtores, assim como a importância dos sistemas de rastreabilidade. 

Relevância de condições para água potável e alta proteção do solo também estiveram em pauta, como parte e parcela dos padrões de certificação.

Plantio sustentável como norma
O diretor da UTZ Certified, Han de Groot, concluiu que, enquanto de fato focará na melhoria do sustento dos produtores, a UTZ investirá em mais crescimento, tanto em volumes quanto em impacto, de modo a tornar-se norma o plantio sustentável.

As informações são da Uol, adaptadas pela Equipe CaféPoint.


Fonte: Portal Café Point

PR: em busca da renovação dos cafezais

Em 10 anos, o produtor João Paulo Waciki, de Cambé-PR, reduziu pela metade a área cultivada com café, que passou a ser cultivada com soja e milho. O cafezal que já ocupou oito hectares da propriedade, hoje está em apenas quatro deles. ”A defasagem nos preços do café e a falta de mão de obra qualificada fizeram com que eu optasse por outros grãos”, justifica. Segundo ele, a opção de mecanizar a colheita ainda não é viável devido ao alto investimento para aquisição de maquinário e adequação da lavoura. ”A situação do café está precária. Se continuar assim, em dez anos será exótico quem cultivar café”, analisa.

A condição de Waciki representa o quadro de grande parte da cafeicultura paranaense. A escassez de mão de obra, o baixo nível de organização dos produtores e pequena escala de produção resultaram na redução drástica do cultivo na última década. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontam que a área cultivada que era de 163,9 mil hectares em 2000, caiu para apenas 87,09 mil hectares em 2012, redução de 46,8%. O volume de produção no mesmo período passou de 2,2 milhões de sacas em 2000 para 1,7 milhão de sacas atuais, o que representa uma queda de 22,73%.

Diante desse quadro, entidades representantes da cadeia produtiva se uniram para criar o Plano de Reestruturação da Cafeicultura Paranaense, com o objetivo principal de proporcionar sustentabilidade econômica, social e ambiental das pequenas e médias propriedades cafeeiras do Estado, por meio da readequação das lavouras e da substituição gradativa da mão de obra pela mecanização. O Plano inclui ações em diversas áreas, com base na assistência técnica para orientar as mudanças necessárias na propriedade, no combate ao endividamento e disponibilidade de crédito para renovação do parque cafeeiro e na conscientização dos agricultores sobre a necessidade de associativismo para aumentar poder de negociação.

O gerente da Câmara Setorial do Café do Paraná, Walter Ferreira Lima, explica que o endividamento é um grave problema entre os cafeicultores e inibe o investimento na atividade, comprometendo o aumento da produtividade e a sustentabilidade do sistema produtivo. ”A necessidade de investimento é urgente e os produtores precisam sentir que alguém está olhando por eles para se motivarem a permanecer na atividade”, comenta.

Entre as medidas, o Plano prevê a substituição e renovação das lavouras improdutivas e implantação de novas áreas adaptadas ao processo de mecanização; utilização de variedades adaptadas a estresses ambientais e resistentes a pragas e doenças; capacitação de técnicos e produtores; aumento da produtividade média que hoje é de 23 sacas por hectare, renegociação de dívidas e ampliação das linhas de financiamento. ”O subsídio e a desoneração fiscal também não podem ficar de fora das discussões do setor produtivo, pois a renda do agricultor depende disso. Sem subsídio, o produtor fica refém do mercado e sem condições de enfrentar o endividamento”, ressalta.

Elaborado em parceria entre Seab, Emater, Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Instituto Agronômico do Paraná, Organização das Cooperativas do Estado do Paraná e Associação dos Produtores de Cafés Certificados e Especiais do Norte Pioneiro do Paraná, a reestruturação já está sendo colocada em prática no Estado e envolve também um Plano de TransferÊncia de Tecnologia da Cafeicultura Paranaense.

Investimento em modernização

O presidente do Sindicato Rural de Apucarana, Jorge Nishikawa, também acompanhou o declínio da cafeicultura. Em 2010, após enfrentar anos de preços baixos e elevado custo de produção, o agricultor erradicou 17 mil pés de café, dos 100 mil que mantinha em sua propriedade desde 1985. Ao observar que as dificuldades eram enfrentadas por vários cafeicultores, Nishikawa, se uniu a outros representantes do setor para solicitar ações governamentais de apoio à cafeicultura paranaense. ”Quando falamos em erradicação parcial do café do Paraná, chamamos a atenção do Ministério da Agricultura. Acredito que com o Plano conseguiremos estancar esse movimento, mas é preciso um programa sério, com levantamento real da situação e definição de ações”, avalia.

Nishikawa sugere a união em ”condomínios” de cafeicultores para aquisição conjunta de maquinários, de forma a atender o perfil paranaense de pequenos produtores. ”A cafeicultura tem muita história no Paraná e não pode ser apagada dessa forma. A modernização é necessária para manutenção da atividade”, comenta.

”A falta de mão de obra é o principal motivo apontado pelos produtores para não ampliação de área de café ou até para o abandono da atividade”, alerta Paulo Franzini, gerente do Deral de Apucarana. Apesar da dificuldade de acesso dos pequenos produtores, Franzini afirma que a indústria tem desenvolvido um número cada vez maior de maquinários adaptados às pequenas propriedades e linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) têm auxiliado agricultores na aquisição de colheitadeiras.

O gerente do Deral orienta que a manutenção das lavouras precisa ser uma ação regular nos cafezais para qua a atividade se mantenha viável. ”A renovação é um processo contínuo na cafeicultura e deve ser feita todos os anos para que o produtor não enfrente dificuldade. A boa condução da lavoura também é essencial”, ressalta. Franzini lembra que o Plano atua em várias frentes, entre elas o endividamento dos produtores, a renovação das lavouras, a extensão rural e a análise de solos, com o intuito de aumentar o potencial produtivo dos cafezais. ”O produtor deve investir no solo para que a lavoura seja produtiva e, dessa forma, lucrativa também”, esclarece.

As informações são do Jornal de Londrina, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

Falta de investimento reduz expansão agrícola

O produto interno agrícola no Brasil cresceu em média 3,7% ao ano entre 1970 e 2010 principalmente graças ao aumento da produtividade conseguida com a evolução da tecnologia no campo. Entretanto, pesquisa da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), em Piracicaba, demonstra que se não houvesse restrições no investimento em capital físico (máquinas e implementos) no período, o crescimento acumulado no período poderia ter sido 27% maior. A conclusão faz parte da tese de doutorado do economista Cassiano Bragagnolo, orientada pelo professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES).

O estudo verificou os fatores que influenciaram o crescimento do produto agrícola nas últimas quatro décadas. “Foram analisadas, entre outros, a evolução da produtividade, da área plantada e do capital físico”, diz Bragagnolo. “O capital físico inclui recursos produtivos, como máquinas, implementos e benfeitorias, sem considerar a terra nem insumos como sementes e adubos.”

Ao analisar a situação de cada Estado brasileiro, a pesquisa verificou que o principal fator que levou ao aumento de produtividade foi o progresso tecnológico. “Entre 1975 e 2005, a média anual de crescimento da tecnologia agrícola foi de 4,3% ao ano, superior ao próprio produto agrícola, que cresceu 3,7% na média anual”, ressalta o economista.

“Nos Estados com maior tradição na agricultura, como os que compõem as regiões Sul e Sudeste, o crescimento foi menor, pois já existia uma base tecnológica”, conta Bragagnolo. “Nas regiões de fronteira agrícola, nos Estados do Norte e Centro-Oeste, houve um aumento maior do progresso técnico, que tornou possível tanto a expansão da área cultivada quanto da produtividade.”

Histórico
Ao verificar a evolução histórica da produção agrícola, o estudo aponta que na década de 70 do século passado, o investimento em capital físico era alto. “Isto propiciou um aumento da área plantada devido a possibilidade de incorporação de novas terras à agricultura, o que permitiu elevado crescimento do produto, apesar de um crescimento da produtividade moderado”, afirma o economista.

De meados da década de 80 até o final dos anos 90, a produtividade cresceu, garantindo o aumento quantitativo da produção, mas ao mesmo tempo houve uma estagnação do capital físico e da área cultivada. “Nesse período começam a surgir preocupações ambientais que levaram a redução da expansão da fronteira agrícola no Norte e no Centro-Oeste, que aliados ao baixo investimento limitaram o potencial de crescimento do setor”, observa Bragagnolo.

A partir do ano 2000, a produtividade e a área cultivada se mantém estáveis. “No entanto, o capital físico volta a ser determinante, com o aumento dos investimentos na agricultura, que asseguram a elevação da produção”, ressalta o economista. “Nas últimas quatro décadas, apesar de problemas momentâneos, como quebras de safra, a tendência sempre foi de aumento do produto interno agrícola.”

Diante das limitações de capital físico apresentadas pelo setor agrícola em alguns períodos, a pesquisa calculou qual seria o crescimento do produto agrícola se houvesse crédito suficiente para um investimento constante. “A simulação mostrou que o produto interno agrícola poderia ter sido 27% maior ao longo do período”, conclui Bragagnolo, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As informações são da ESALQ, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

Dilma vetará mudança de MP do código, mas evitará Congresso

A presidente Dilma Rousseff vai vetar as mudanças feitas pelo Congresso na medida provisória do Código Florestal que flexibilizavam a recuperação vegetal nas margens dos rios, mas não enviará uma nova regra para ser analisada pelos parlamentares.

A posição pelo veto nesse ponto da MP está acertada no governo, e os ministérios envolvidos com o tema discutem agora a melhor forma de regulamentar a proteção das matas ciliares sem consultar o Congresso. O prazo para sanção presidencial da medida expira no dia 17 de outubro.

“Já está consolidada esta posição. Não vai haver devolução de nenhuma MP para o Congresso Nacional, nem no ano que vem”, disse uma das fontes sob condição de anonimato.

Segundo uma outra fonte do Executivo, essa regulamentação deve ser feita por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Esse dispositivo, criado com o novo Código Florestal, terá suas linhas gerais definidas pela União e detalhado pelos Estados, que não podem extrapolar os limites estabelecidos pelo governo federal. A MP foi editada justamente para regulamentar pontos que a presidente Dilma Rousseff vetou do Código Florestal, aprovado em abril deste ano pelo Congresso.

Depois de editada pela presidente, a MP teve que passar pelo Congresso e, durante a tramitação, os parlamentares chegaram a um acordo para a aprovação da maior parte dos ajustes sugeridos por Dilma.

Os parlamentares afrouxaram, no entanto, os limites para a recuperação da vegetação nas margens dos rios calculados com base no tamanho das propriedades, ponto considerado crucial pela presidente. O dispositivo ficou conhecido como “escadinha” e tinha intenção de resguardar as pequenas propriedades.

A faixa mínima de vegetação exigida foi reduzida pelos parlamentares para 15 metros ao longo de margens de rios desmatadas para propriedades com tamanho entre 4 e 15 módulos fiscais (o módulo fiscal varia entre 5 e 110 hectares, dependendo da região). 

A MP original, sancionada em maio pela presidente Dilma Rousseff, previa que propriedades com tamanho entre 4 e 10 módulos fiscais deveriam recompor a vegetação numa área de 20 metros ao longo de cursos d’água com menos de 10 metros de largura.

A mudança irritou a presidente, que chegou a repreender publicamente as ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, numa cerimônia no Palácio do Planalto.

Nesta quinta-feira, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com os ministros envolvidos na discussão e os orientou que apontem possíveis alternativas ao PRA para que as regulamentações do Código Florestal não passem pelo Congresso.

As informações são da Reuters, adaptadas pela Equipe AgriPoint.

Fonte: Portal Café Point

Emater-MG: desenvolvendo a agricultura familiar do Estado

Por Marcelo Lana, Presidente da Emater-MG

O trabalho de assistência técnica e extensão rural prestado pela Emater-MG tem como foco o contínuo desenvolvimento de uma vocação de Minas Gerais: a agropecuária. Com um olhar que extrapola a produção de alimentos, que procura entender e tratar esta atividade também num contexto humano, social, cultural e ambiental, o extensionista trabalha pela qualidade de vida dos mineiros e por maior equidade entre as regiões do Estado. 

E estamos falando de Minas Gerais, com sua vastidão de terras e características peculiares, que justificam a estratégia adotada pelo governador Antonio Anastasia de estruturar e consolidar as redes sociais de desenvolvimento integrado. A Emater-MG atua alinhada a essa diretriz, com o apoio do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elmiro Nascimento. Nossa grande capilaridade, com presença em 93% dos municípios de Minas, é sustentada pelas parcerias com os gestores políticos, nacionais e locais, com a sociedade civil e entidades de classe.

Na construção desta sinergia com a sociedade, nossos extensionistas têm como ponto de partida o diálogo, a valorização do saber e da experiência do produtor rural. A essa atitude se aliam conhecimento, inovação e tecnologia. Por isso, atualmente, os investimentos da Emater-MG estão concentrados na capacitação dos profissionais da Empresa e na modernização da infraestrutura de nossas Unidades, pois só assim chegaremos aonde estão os 79% de estabelecimentos rurais definidos como da Agricultura Familiar, responsáveis por 62% da ocupação no campo.

Em 2012 a Emater-MG adquiriu 236 veículos e mais 854 computadores. Os investimentos para essa aquisição foram de R$6,6 milhões. A compra dos carros e equipamentos faz parte de uma parceria da Emater-MG com os governos estadual e federal.

Os resultados da nossa assistência técnica e extensão rural estão em toda parte: nas mesas dos brasileiros, nas merendas escolares, nos estabelecimentos do varejo, nas estatísticas de emprego e renda, de comercialização, nos diagnósticos de preservação ambiental, saúde e segurança alimentar. 

Nossos programas e projetos abarcam ações como: a melhoria da produtividade, a agregação de valor aos produtos, a gestão das propriedades, o atendimento às exigências da legislação e do mercado, além de fomentar o empreendedorismo, a associação e o cooperativismo. Esses programas e projetos são dirigidos ao produtor e à sua família, com especial atenção ao jovem rural, em busca de alternativas para a permanência e qualidade de vida no campo. 

A gestão moderna e eficiente da Emater-MG, orientada pelo planejamento estratégico, aliado ao uso de ferramentas e indicadores de desempenho, tornou realidade o atendimento a 396 mil agricultores familiares em 2011, com previsão de atendimento, no ano de 2012, a 420 mil produtores. Mais do que esses números, o que a Empresa persegue é a excelência no desenvolvimento da agropecuária mineira, com sustentabilidade para a qualidade de vida no Estado.

A Emater-MG tem avançado com o governo de Minas Gerais, alinhada às suas estratégias e planos transformadores. Acreditamos na transformação com qualidade: na excelência da prestação da assistência técnica e extensão rural, na capacitação dos extensionistas e técnicos, nas condições de trabalho adequadas. Só assim podemos efetivamente colaborar para a Minas de todos os mineiros. O que nos impulsiona, a cada dia, nessa melhoria contínua, é a celebrada paixão, a garra e o engajamento dos nossos extensionistas e técnicos. 

As informações são da Emater-MG, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

Impressões sobre o 7°Espaço Café Brasil

*Por Ségio Parreiras Pereira

Entre os dias 4 e 6 deste mês, aconteceu em São Paulo o 7º Espaço Café Brasil, o maior evento “porteira pra fora” do setor cafeeiro. O termo “porteira pra dentro” se refere à propriedade agrícola, portanto, trata de plantio, espaçamento, pragas, doenças, adubação, colheita, gestão, trabalhador rural, meio ambiente, enfim, o sistema produtivo com seus fornecedores de produtos e serviços. Já a “porteira pra fora”, trata das etapas da cadeia de custódia, no nosso caso, do sistema agroindustrial do café que leva em consideração a padronização, comercialização, torra, embalagens, equipamentos, Latte art, baristas, métodos de extração, drink’s, TNT, degustadores, chefs de cuisine, harmonização de sabores, Coffee In Good Spirits….. 

São universos paralelos de um mesmo produto que raramente se encontram, e o Espaço Café Brasil traz justamente a proposta de ser um portal para esta interação, aberto ao público anualmente na maior capital do País.

Durante os três dias de evento, reuniram-se “Coffeaholics” de todas as espécies, representantes desses dois universos. Foram dias intensos de troca de saberes e de cafés. E quantos cafés…

Encontro entre organizações certificadoras e cafeicultores familiares

Um dos destaques do evento foi o encontro entre organizações certificadoras e cafeicultores familiares, realizado no primeiro dia do evento. No debate estiveram presentes representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA; da Utz Certified; da Rainforest Alliance, da Fairtrade Labbeling Organization – FLO; do Certifica Minas Café; do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; do CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil e da BR Fair – Associação das Organizações de Produtores Fairtrade no Brasil.

Cada representante apresentou sua visão a respeito da necessidade de maior inserção da cafeicultura familiar no mercado de cafés especiais, sobretudo o de cafés certificados sustentáveis. Ficou claro que o Brasil é e será o grande fornecedor desses cafés para o mundo e que a demanda apresenta-se crescente nos países desenvolvidos. Esse crescimento exige que sejam aprimoradas ferramentas de assistência técnica e extensão rural para melhorar as boas práticas agrícolas e gerenciais nas unidades produtivas, sobretudo as de base familiar. 

Protagonistas do tema, cerca de vinte cafeicultores de oito diferentes associações de produtores participaram do debate, expondo seus pontos de vista e se posicionando em relação aos temas apresentados. O presidente da BR Fair, Guido Reguim Filho (União dos Produtores de Cafés Especiais dos Martins – Unipcafem – Varginha) destacou a importância do associativismo e deste tipo de debate para a cafeicultura familiar. A participação dos representantes da BR Fair foi apoiada pelo SEBRAE MG.

Outro ponto destacado refere-se à necessidade de maior articulação entre os diferentes programas de certificação dentro do país visando traçar estratégias de promoção de soluções tecnológicas para problemas comuns entre selos. Nesse sentido, inicia-se a articulação do 3º Simpósio de Cafés Certificados Sustentáveis, que deverá ser realizado em abril de 2013, em Poços de Caldas.

Após os debates, aconteceu a degustação de cafés da cafeicultura familiar por provadores e compradores nacionais e internacionais, na sala de Cupping, onde foi possível uma integração entre cafeicultores e experts em qualidade sensorial de café. Alguns cafés da agricultura familiar também foram selecionados para participar das rodadas de negócios, que aconteceram durante o evento.

Mulheres do Café

Fundada em 2003 a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA, na sigla inglesa) foi resultado de um encontro entre mulheres da indústria do café com as mulheres no mundo produtor. A ONG, que já conta com unidades em vários países, como Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, República Dominicana, Colômbia e Burundi, tem como objetivo formar uma aliança global, empenhada em reduzir as barreiras para mulheres localizadas em todas as fases da cadeia produtiva do café, promovendo o acesso a recursos e a capacitação.

Em 2011, a IWCA Brasil foi fundada no Espaço Café Brasil, com a assinatura da Carta de Intenção para a primeira Aliança das Mulheres do Café no país. Nesta edição, na presença de carca de 40 integrantes, foi oficialmente assinado o Memorandum Of Understanding pela vice-presidente da IWCA, Johanna Bot, e a presidente da Aliança no Brasil, Josiane Cotrim Macieira. As Mulheres do Café no Brasil estão se organizando em torno da proposta de empoderamento feminino no sistema agroindustrial do café. Foi lançada a semente!

Considerações

O Espaço Café Brasil ocupa uma lacuna existente entre dois universos cafeeiros, o da produção e o do processamento/consumo. É uma iniciativa privada e deve ser apoiada pelos formuladores de políticas cafeeiras, pois se consolida como a grande vitrine dos Cafés do Brasil. 

Vida Longa ao Espaço Café Brasil!

*Sérgio Parreiras Pereira é Engenheiro Agrônomo; Mestre em Fitotecnia; Pesquisador Cientifico do IAC – Centro de Café ‘Alcides Carvalho’; Doutorando da Universidade Federal de Lavras – UFLA e Coordenador do Núcleo de Manejo da Lavoura Cafeeira do CBP&D/Café.

As informações são do Peabirus, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point

Mercado de cafés especiais no Brasil dobra em três anos

Filho de inglês, Dennis Freeman viveu na Califórnia, se casou com uma italiana, e decidiu ser um empresário brasileiro. No Itaim, em São Paulo, abriu uma pequena padaria orgânica, um estabelecimento de apenas 80 metros quadrados, onde decidiu investir em cafés especiais. “O café gourmet caiu do céu para mim”, diz ele ao explicar que vende o produto “que nem água”. Por semana, a padaria comercializa cerca de 3 mil xícaras de café, “bastante se você considerar nosso tamanho”. Porém, para vender tanto, Dennis fixou o preço de cada xícara em R$ 4,50, muito abaixo do valor praticado pelos concorrentes da região (uma xícara de expresso gourmet pode custar até R$ 10). Por enquanto, ele quer que os clientes experimentem o produto, “quando você prova um café desses, sente a diferença e vai querer tomar de novo”.

Parece que Dennis está certo. Os números do mercado interno mostram que o café especial está caindo no gosto do brasileiro. Em 2008, das 17 milhões de sacas de café consumidas no país, apenas 500mil eram especiais ou gourmet. Em 2011, das 20 milhões de sacas consumidas por aqui, 1 milhão era especial. “O hábito de ir a cafeterias ainda não é popular no Brasil, mas pode ser difundido para a nova classe média”, diz Vanúsia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). “Houve um aumento de cafeterias em shoppings, essa é a porta de entrada para a classe C”, diz.

Apesar da popularização da bebida, os cafés especiais dificilmente ocuparão as prateleiras de supermercados populares. “A demanda interna ganhou fôlego há dois anos, mas café de boa qualidade em mercado ainda é um desafio para o mundo todo”, diz Sílvia Magalhães, diretora da Italian Coffee e também tricampeã brasileira na arte de preparar cafés. Cada quilo de café especial pode custar de R$ 30 até R$ 180, enquanto um quilo de café popular (consumido por 80% dos brasileiros) custa em média R$ 13, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

As informações são do iG São Paulo, adaptadas Equipe CaféPoint.

Fonte: Portal Café Point