Cafeteiras estão mais seguras

RIO – Preparar o café nosso de cada dia está mais seguro. Os atuais equipamentos à disposição do consumidor no comércio, diferentemente das versões anteriores, oferecem menos riscos em relação à segurança elétrica. Esses acessórios indispensáveis para quem não vive sem o habitual cafezinho também consomem pouca energia. Entretanto, há modelos que ainda apresentam dificuldade na hora da limpeza.
Essas foram as principais conclusões da avaliação realizada pela Proteste — Associação Brasileira de Defesa dos Direitos do Consumidor com dez aparelhos, sendo cinco tradicionais e cinco que preparam café expresso.
As cafeteiras das marcas Arno, Britânia, Cadence, Electrolux, Walita/Philips, Nespresso, De’Longhi e Saeco foram submetidas a testes de laboratório durante dois meses. Os técnicos não encontraram problemas de segurança elétrica em nenhum dos aparelhos, nem nas tradicionais, nem nas de café expresso. Outro aspecto positivo para quem usa com frequência esse tipo de aparelho é que, no geral, o consumo de energia das máquinas é bem semelhante.
Entre as mais sofisticadas, cápsulas não são compatíveis
“Nem mesmo os aparelhos mais sofisticados gastam uma quantidade de energia significativa. Mas as cafeteiras de sachê ficaram com notas melhores por passarem o café consumindo ainda menos energia”, destaca o documento, encaminhado pela Proteste também aos fabricantes. No laboratório, os técnicos verificaram a medição da energia consumida em 20 minutos de funcionamento das máquinas, incluindo a passagem do café.
— Em relação à segurança elétrica, antes havia perigo, principalmente em relação aos aos plugs das cafeteiras. Essa situação mudou e, agora, com a nova norma para as tomadas, o risco está praticamente eliminado. Nas máquinas com filtro de papel, no entanto, observamos alguns cabos muito curtos, o que pode atrapalhar o manejo dessas cafeteiras na cozinha — diz Eduardo Cação, técnico da Proteste e coordenador da pesquisa.
Segundo ele, o surgimento de um grande número de modelos no mercado e a novidade das máquinas para café expresso, algumas até com moagem de grãos, motivaram a Proteste a realizar a avaliação com as cafeteiras.
Enquanto nos modelos mais sofisticados um dos aspectos negativos é o fato de as cápsulas de café não serem compatíveis com aparelhos de marcas diferentes — para Cação, isso faz o consumidor ficar dependente de uma marca —, entre os modelos tradicionais um problema recorrente é a dificuldade para realizar a limpeza do aparelho.
A cafeteira da marca Cadence, tradicional, foi considerada “de limpeza complicada” porque o acesso ao recipiente de filtro de papel é difícil. A fabricante discorda e, em nota, afirma que o modelo analisado tem “acesso muito simples” ao filtro, bastando abrir o compartimento pela frente. “Nosso filtro é removível e lavável.”
O modelo Perfecta, da Arno, também foi citado pela Proteste como de limpeza difícil, pelo fato de não ser possível ao usuário retirar o recipiente do filtro de papel para lavagem. Procurada, a empresa não se pronunciou a respeito da análise.
Uma avaliação que apresentou diferenças significativas entre algumas máquinas, segundo o documento da Proteste, foi a das dimensões, que inclui o comprimento do cabo de alimentação e a capacidade do reservatório de água.
— Um cabo de alimentação curto pode limitar o posicionamento do aparelho na cozinha, e um reservatório de água maior é um indicativo da capacidade máxima de preparação do café do aparelho. A Electrolux Easy Line e a Cadence, da linha de cafeteiras de filtro, têm fios que consideramos curtos demais — ressaltou Cação.
A falta de informações suficientes no manual de uso — “é bastante ruim e não possui instruções para o preparo do café”, conforme a avaliação — foi responsável pelos pontos negativos da cafeteira Britânia na pesquisa. De acordo com comunicado da empresa, o manual de instruções passará por uma revisão “para atender a esse requisito”.
As marcas de cafeteiras para expresso avaliadas — Arno Nescafé Dolce Gusto, Nespresso Citiz, De’Longhi Caffé Corso e Saeco Odea — foram bem avaliadas, nos aspectos gerais, e mereceram destaque no item funcionalidade. Algumas apresentaram mais de uma opção de modo de preparo do café (gravidade e pressão), e outras aceitam mais de um tipo de carga (pó, grão e cápsula). Outras funções incluem botão para um e dois cafés, função vapor, função de manter o café aquecido, filtro de água, cabo substituível ou acompanhamento para passar o café.
Há também, no entanto, aparelhos muito simples, que não apresentam opções ou funções adicionais — principalmente no caso das cafeteiras de filtro em geral. A De’Longhi e a Saeco, de expresso, são as que trazem mais opções e funções. A Nespresso e a Electrolux Easy Line se destacaram como as mais fáceis de limpar. Já a Electrolux Aroma Espresso e a Cadence, de filtro, foram as que demonstraram menos facilidade para essa tarefa. A primeira porque não possui recipiente para grãos de café.
— Um aspecto importante quanto às cafeteiras de expresso é a diferença de preço. Encontramos diferença em torno de mil reais entre dois modelos semelhantes — diz Cação, da Proteste.

Pesquisa é essencial para encontrar o melhor preço
As discrepâncias nos preços, de acordo com a associação, chamaram a atenção tanto em relação a aparelhos de diferentes marcas quanto em modelos iguais vendidos em estabelecimentos diversos. A De’Longhi, por exemplo, pode custar até R$ 820 a mais, dependendo de onde for comprada. Também há grande diferença de preço de um produto para outro, principalmente nas máquinas de expresso. E foi a De’Longhi que apresentou o maior preço. Comprando-a por seu preço mínimo, o consumidor desembolsa R$ 1.350 a mais do que pagaria no custo mínimo da Arno.
“Então, antes de comprar, é muito importante pesquisar os preços também em sites confiáveis, além de considerar o custo do frete”, recomenda a Proteste.

Extra – RJ – Rio de Janeiro/RJ – ECONOMIA – 01/07/2012 – 14:23:02
O Globo

Fonte: Web ABIC